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sábado, 31 outubro 2026
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Saiba mais sobre as contas de Eduardo Cunha na Suíça

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Redação PB Vale
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O presidente da Câmara adota a estratégia Maluf
O presidente da Câmara adota a estratégia Maluf

“Deputados pedem a cassação de Eduardo Cunha por causa das contas secretas que somam 2,4 milhões de dólares”

Em resposta a um requerimento apresentado pela bancada de deputados do PSOL, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, confirmou, por meio de ofício, a existência de contas bancárias na Suíça atribuídas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e seus familiares. Sem mencionar os valores depositados, o documento assinado por Janot e remetido aos parlamentares na quinta-feira 8 informa ainda que os saldos das contas foram bloqueados pelas autoridades daquele país.

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Leia mais: Deputados de seis partidos representam contra Cunha na Corregedoria da Câmara

Na verdade, os recursos estão inacessíveis desde abril, quando o banco Julius Bar identificou Cunha, sua mulher, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, e uma das filhas do deputado como beneficiários finais de contas secretas que somam 2,4 milhões de dólares, cerca de 9 milhões de reais.

A própria instituição financeira reportou as suspeitas de origem ilícita do dinheiro ao procurador-geral suíço, Michael Lauber, que instaurou um inquérito contra o deputado por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Mais recentemente, o Ministério Público da Suíça firmou um acordo de colaboração com o Brasil e passou a compartilhar informações com a Procuradoria-Geral da República.

A revelação reforça as suspeitas contra o presidente da Câmara, acusado de receber propinas da Petrobras. Em julho deste ano, Júlio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou à Justiça Federal no Paraná que Cunha exigiu 5 milhões de dólares decorrentes de contratos para a construção de navios-sonda da Petrobras. No fim de setembro, o lobista João Augusto Rezende Henriques, ligado ao PMDB, admitiu à Polícia Federal ter feito repasse de dinheiro para uma conta no exterior que tinha o deputado como beneficiário final. 

Além disso, segundo as investigações da Lava Jato, o Julius Bar é um dos bancos que abrigou parte dos desvios da Petrobras. Dois integrantes da Diretoria Internacional da estatal, o ex-diretor Jorge Zelada e o ex-gerente Eduardo Musa, mantinham contas secretas na instituição. 

Vamos desenhar: dois delatores acusam Cunha de exigir propina. Autoridades suíças identificam contas suspeitas do deputado em um dos bancos do país. O banco também recebeu depósitos de ao menos outros dois acusados no escândalo. Falta mais o quê?

Bem ao estilo Paulo Maluf, o presidente da Câmara continua a negar a titularidade de contas no exterior. Em 1º de outubro, o deputado Chico Alencar, líder do PSOL, chegou a usar a tribuna da Câmara para questioná-lo sobre a existência de recursos depositados na Suíça.

O presidente da Câmara desviou o olhar e não respondeu. No dia seguinte, por meio de nota, o peemedebista reiterou o depoimento que havia dado à CPI da Petrobras: “Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a que está declarada no meu Imposto de Renda”.

Por ora, a oposição, retrato da indignação seletiva, permanece como um dos principais sustentáculos políticos de Cunha. Desde fevereiro, quando o deputado derrotou o PT e assumiu o comando da Câmara, ele mantém articulação com lideranças do PSDB, do DEM e do Solidariedade, as três principais legendas que pedem o impeachment de Dilma Rousseff.

Na segunda-feira 5, o deputado Carlos Sampaio, líder do PSDB, não hesitou em sair em defesa do presidente da Câmara, mesmo diante da informação sobre as contas secretas na Suíça: “Ele tem, por ora, o benefício da dúvida”.

A aliança parece, porém, estar com os dias contados. “Cunha é carne morta”, sentenciou Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB e ex-governador de São Paulo. “Até quando vai resistir, ninguém sabe. Mas que vai cair, vai. E levando gente junto”, emendou o senador tucano Tasso Jereissati. Aécio Neves, por sua vez, tentou consertar a fala do colega da Câmara. “O que o líder Carlos Sampaio disse é que está aguardando as provas para a confirmação das denúncias, que não quer se antecipar à condenação. Ninguém vai defender ninguém se isso acontecer.”

Na quarta-feira 7, um grupo de 30 deputados de sete partidos diferentes protocolou uma representação na Corregedoria da Câmara na qual pede a cassação do mandato de Cunha. Com isso, o deputado perderia o direito ao foro privilegiado no julgamento da Lava Jato. No dia seguinte, a bancada do PSOL anunciou a disposição de abrir outra frente.

Pretende ingressar no Comitê de Ética da Câmara com um processo por quebra de decoro parlamentar. A peça incluirá o ofício de Janot que confirma as contas na Suíça. “Agora, com este documento formal e oficial, temos plena condição de fazer esta representação. As condições políticas para ele permanecer na presidência acabaram”, afirmou Alencar.

Com o controle da Mesa Diretora da Casa Legislativa, Cunha faz pouco caso das iniciativas. “São os mesmos que entraram com mandado de segurança para a maioridade penal, os mesmos que entraram com mandado de segurança para financiamento de campanha, para interromper votação, que fizeram manifesto contra a Presidência. São os mesmos. Já estou habituado.É uma oposição conhecida”. Reforçou, ainda, não pretender abandonar o comando da Câmara: “Não há a menor possibilidade de eu renunciar, licenciar ou qualquer coisa do gênero”.

Carta Capital

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