
O discurso do presidente Bolsonaro na Cúpula do Clima surpreendeu pela memória seletiva: ele exaltou os avanços ambientais obtidos durante a redemocratização – em especial nos governos do PT – e, pasmem, esqueceu o projeto da ditadura militar para a Amazônia, que até hoje ele e seu governo defendem. É como se o Brasil tivesse enviado o anti-Bolsonaro para o encontro.
O blog mergulhou em anúncios publicados na década de 70 em jornais impressos para explicar melhor a filosofia da ditadura que, ainda hoje, inspira o bolsonarismo ambiental comandado pelo ministro da boiada, ou melhor, do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
“Toque sua boiada para o maior pasto do mundo”, conclamava uma propaganda de 1972. Adivinha qual era o maior pasto do mundo? O texto publicitário explicava. “Na Amazônia a terra é barata e sua fazenda pode ter todo o pasto que os bois precisam. Sem frio ou estiagem queimando o capim, o gado fica bonito de janeiro a dezembro.”
O governo federal prometia incentivos fiscais e financiamento para quem levasse o gado para a região.
Apoio empresarial
Em outra propaganda, as empresas que faziam investimentos na região eram exaltadas. A peça mostrava a foto de um boi e dizia que era um “Volkswagen produzido na Amazônia”. A empreiteira Camargo Corrêa também era citada como um exemplo de patriotismo por levar o desenvolvimento econômica para a região.

Conclusão
Sei lá… Não pintou clima para Bolsonaro defender essas teses, como sempre fez.
Comentarista de política da GloboNews. Participa do Estúdio I, Em Ponto e Edição das 10h


