A declaração do secretário de Administração da Paraíba, Tibério Limeira, caiu como um balde de realidade sobre o comportamento do deputado federal Gervásio Maia dentro do PSB paraibano. Tibério não apenas verbalizou o que muitos aliados já comentavam nos bastidores, como também trouxe à tona um debate importante: o nível de ingratidão política do parlamentar com o partido que lhe garantiu suporte, estrutura e vitória eleitoral.

Ao afirmar que Gervásio “quer motivo para sair do PSB” e que sua postura é típica de “quem pouco ajuda e muito reclama”, Tibério sintetizou um sentimento coletivo entre lideranças da legenda. A avaliação aponta para um movimento calculado de desgaste interno, que seria usado como justificativa para uma saída já planejada.

Tibério ainda lembrou que Gervásio não venceu sozinho. Pelo contrário, contou com o empenho de nomes estratégicos que foram determinantes para sua eleição em 2022, entre eles: Heron Cid, Ricardo Barbosa, Geraldo Medeiros e Fabíola Rezende.

Essas lideranças não apenas apoiaram, mas trabalharam diretamente para consolidar o projeto político de Gervásio, fortalecendo sua campanha e pavimentando o caminho para a vitória. O mínimo esperado, segundo aliados, seria uma postura de reconhecimento e lealdade, algo que não vem sendo demonstrado.

■ O incômodo do PSB

Internamente, membros do PSB avaliam que a narrativa de vitimização construída por Gervásio soa artificial e conveniente. A crítica recorrente ao partido, sem apresentar contribuição proporcional, tem sido interpretada como parte de um plano para justificar a ruptura — uma estratégia conhecida na política: criar o conflito para usar como argumento de saída.

O que Tibério fez foi tirar o assunto da sombra dos bastidores e colocar na mesa. Ao expor a ingratidão de Gervásio, o secretário vocalizou a frustração de muitos que dedicaram tempo, capital político e articulação para que o deputado chegasse onde está.

Por Felipe França