A reunião do Diretório Estadual do PT, realizada no último sábado (11), em João Pessoa, cumpriu apenas parte do roteiro esperado: consolidou o apoio à pré-candidatura de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado, mas deixou em aberto um ponto central da engenharia eleitoral de 2026 — o segundo voto ao Senado.
A decisão de adiar essa definição chama atenção justamente por partir de um partido que, historicamente, sempre cultivou posições firmes, resoluções objetivas e clareza estratégica em momentos decisivos.
O PT, goste-se ou não de sua linha política, nunca construiu sua identidade em cima de ambiguidades prolongadas. Por isso, a postergação não passa despercebida. Ao evitar cravar desde já o segundo voto, a legenda demonstra que ainda tenta preservar margem de negociação em um cenário onde interesses locais e nacionais claramente se cruzam.
A própria resolução aprovada foi clara no apoio ao projeto majoritário de Lucas, mas genérica quando o assunto migrou para o Senado.
A pergunta que fica nos bastidores é inevitável: por que um partido com tradição de definição política tão nítida prefere, desta vez, manter a porta entreaberta?
A resposta parece estar menos na dúvida ideológica e mais no pragmatismo eleitoral. Com duas vagas em disputa, o Senado se transformou no espaço mais sensível do tabuleiro paraibano.
Cravar um nome agora significaria fechar pontes com outros aliados potenciais, reduzir o poder de barganha na composição da chapa e, sobretudo, limitar a influência do partido nas etapas seguintes da negociação.
Por Felipe França






