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segunda-feira, 21 setembro 2026
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Conselho de Ética aprova dar continuidade ao processo de Cunha

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Relator retirou do texto trecho que mencionava recebimento de propina por Eduardo Cunha (Foto: Reprodução)
Relator retirou do texto trecho que mencionava recebimento de propina por Eduardo Cunha (Foto: Reprodução)

Após uma série de adiamentos, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quarta-feira (2), com placar apertado, o relatório preliminar que pede a continuidade do processo disciplinar com pedido de cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com isso, o peemedebista vai ser investigado por quebra de decoro por ter ocultado contas bancárias no exterior.

Na última hora, no entanto, o relator do caso, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), aceitou proposta de um aliado do presidente da Câmara para retirar do parecer o trecho que pedia que Cunha também fosse investigado por suposto recebimento de propina. Agora, Cunha terá até 10 dias úteis para apresentar sua defesa prévia.

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Nos bastidores, adversários do presidente da Câmara atacaram a mudança no texto e acusaram a “tropa de choque” do peemedebista de manobrar para tentar conseguir uma pena mais branda, em vez da cassação do mandato.

A aprovação do relatório prévio de Marcos Rogério se deu por 11 votos a 10, após o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), dar o voto de minerva e desempatar o placar (veja ao final desta reportagem como votaram os integrantes do colegiados).

Com a divisão dos integrantes do conselho em torno da continuidade do processo, o voto do deputado Paulo Azi (DEM-BA) acabou se tornando decisivo.

Foi o parlamentar da oposição que propôs a retirada do parecer do trecho que mencionava o recebimento de propina. Azi impôs essa mudança como condição para votar a favor do texto de Marcos Rogério.

Em meio à sessão, ele argumentou que a acusação de que o presidente da Câmara teria recebido propina de contratos da Petrobras não se referia a fatos ocorridos no atual mandato legislativo.

Diante do apelo, o relator acatou a mudança, justificando que ainda não havia uma ação na Justiça aberta contra Cunha por conta dessas acusações. Ele, entretanto, explicou que nada impediria que, no decorrer das investigações, o presidente da Câmara voltasse a responder por isso.

Na tarde desta quarta-feira (2), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se aceita a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Eduardo Cunha em um dos processos da Lava Jato. Se a Corte aceitar a denúncia, o presidente da Câmara se tornará réu na ação penal que investiga o esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Acusação no conselho
Eduardo Cunha é investigado no Conselho de Ética por supostamente ter ocultado contas bancárias na Suíça e de ter mentido, no ano passado, sobre a existência delas em depoimento à CPI da Petrobras.

O presidente da Câmara nega ser dono de contas no exterior, mas admitiu ter o usufruto de ativos geridos por trustes estrangeiros. Se o processo chegar ao plenário, Cunha pode ter o mandato cassado.

O parecer pela continuidade do processo de investigação, de autoria do deputado Marcos Rogério, já havia sido aprovado em dezembro, mas, após manobras de aliados do peemedebistas, a votação acabou cancelada e foi preciso voltar à estaca zero.

Próximos passos
Com a aprovação do relatório preliminar nesta quarta-feira, Cunha será convocado a apresentar, novamente, sua defesa prévia. 

Somente depois que ele entregar a defesa será feita a instrução do processo, com a coleta de provas e o depoimento de testemunhas. Ao final, o relator do caso terá que entregar um parecer que poderá pedir até a cassação do mandato de Cunha. Após ser votado no conselho, o caso segue para o plenário da Câmara.

Manobras
A sessão da madrugada desta quarta-feira que deu aval à continuidade do processo de cassação foi a segunda tentativa do dia do presidente do Conselho de Ética de tentar colocar o relatório em votação.

Mais cedo, na tarde de terça (1º), os integrantes do colegiado já haviam se reunido para tentar analisar o parecer. Porém, mais uma vez, aliados de Cunha conseguiram derrubar a reunião com manobras.

Após mais de três horas de discussões, a sessão teve de ser suspensa na hora em que foi aberta a ordem do dia no plenário principal da Câmara. As comissões permanentes da Casa são obrigadas a encerrar as atividades no momento em que tem início as votações no plenário.

O próprio Eduardo Cunha tentou inviabilizar a votação do relatório de Marcos Rogério comandando ele mesmo as discussões no plenário principal da Câmara até depois das 23h,
mesmo com a presença de apenas cerca de dez deputados.

Geralmente, assim que se encerram as votações, ele costuma passar o comando da sessão para outro deputado e se retira do plenário. Na prática, a medida atrasou a votação do relatório no Conselho de Ética.

Durante a sessão, entre os deputados que pediram a palavra para discursar, estavam alguns dos principais aliados de Cunha, como o líder do PSC, André Moura (SE), o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), e o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

Desta vez, porém, o presidente do Conselho de Ética estava disposto a adentrar a madrugada para tentar votar o relatório prévio do caso. Assim que Eduardo Cunha deu por encerrada a ordem do dia no plenário principal, José Carlos Araújo retomou a sessão que havia sido suspensa no final da tarde.

No início dos trabalhos, houve um intenso bate-boca por conta da substituição de um dos titulares do Conselho de Étcia. O líder do PR, deputado Maurício Quintella (AL), assumiu o lugar do deputado Vinícius Gurgel (PR-AP), que renunciou ao cargo.

Inconformados com a nova manobra dos aliados de Cunha, deputados da Rede, do PSB e do PSOL protestaram e questionaram a validade da troca, uma vez que um suplente já havia registrado presença no início da sessão.

“É chicana, virou um circo”, protestou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Veja como votaram os integrantes do Conselho de Ética:

Contra Cunha
Betinho Gomes (PSDB-PE)
Fausto Pinato (PRB-SP)
José Carlos Araújo (PSD-BA)
Júlio Delgado (PSB-MG)
Leo de Brito (PT-AC)
Marcos Rogério (PDT-RO)
Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS)
Paulo Azi (DEM-BA)
Sandro Alex (PPS-PR)
Valmir Prascidelli (PT-SP)
Zé Geraldo (PT-PA)

A favor de Cunha
Cacá Leão (PP-BA)
Erivelton Santana (PSC-BA)
João Carlos Bacelar (PR-BA)
Maurício Quintella (PR-AL)
Mauro Lopes (PMDB-MG)
Ricardo Barros (PP-PR)
Sérgio Moraes (PTB-RS)
Washington Reis (PMDB-RJ)
Wellington Roberto (PR-PB)
Vladimir Costa (SD-PA)

Por Fernanda Calgaro

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