O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba julga, na manhã desta segunda-feira (24), se recebe a denúncia apresentada pelo GAECO do Ministério Público Federal contra o prefeito de Cabedelo, André Coutinho, e outros investigados. Caso a denúncia seja acolhida, todos passam imediatamente à condição de réus em uma ação penal eleitoral.

A acusação do MPF é dura: segundo o GAECO, o grupo ligado a André funcionaria como uma organização criminosa estruturada para influenciar disputas políticas em Cabedelo por meio de coação, compra de votos, infiltração de nomes ligados ao tráfico em cargos públicos e tentativas de obstrução de investigações.

Entre as provas apresentadas estão gravações, diálogos recuperados, documentos apreendidos e vídeos em que o vereador Dinho relata ameaças atribuídas a “Fatoka”, apontado como liderança do Comando Vermelho. A PF teria confirmado a participação de criminosos em intimidações e ações de represália contra o parlamentar.

Segundo o MPF, após o rompimento entre Dinho e Fatoka, aliados do esquema passaram a ser nomeados na Prefeitura de Cabedelo com influência direta de André Coutinho e Vitor Hugo. A PF encontrou listas de distribuição de cestas básicas, fichas de indicação, materiais de campanha e cópias de títulos eleitorais — indícios de um suposto esquema de compra de votos com uso da máquina pública.

A denúncia ainda cita que André Coutinho teria reunido e compartilhado documentos sobre a vida funcional de uma magistrada responsável por investigações sensíveis, ato interpretado como tentativa de embaraço à Justiça. Conversas recuperadas mostram articulações internas e apoio da ex-vereadora Marcela Pereira ao grupo denunciado.

Para o GAECO, o conjunto de elementos aponta uma atuação típica de organização criminosa eleitoral, com divisão de tarefas, uso da estrutura pública, ligação com facção criminosa e interferência direta no processo democrático.

O MPF pede que o TRE-PB receba a denúncia, cite os investigados e fixe valor mínimo de R$ 3,27 milhões para reparação dos danos. O julgamento desta segunda-feira é considerado decisivo e pode abrir a ação penal no caso mais grave envolvendo um núcleo político de Cabedelo desde a Operação Xeque-Mate.

PBVale