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Cida Ramos deve ser a candidata do PSB à prefeitura de João Pessoa

Cida Ramos foi anunciada como pré-candidata a prefeita de João Pessoa (Foto: Rizemberg Felipe)
Cida é auxiliar do governador Ricardo Coutinho desde o começo da gestão (Foto: Rizemberg Felipe)
Cida é auxiliar do governador Ricardo Coutinho desde o começo da gestão (Foto: Rizemberg Felipe)

A secretária de Desenvolvimento Humano do Estado, Cida Ramos, deve ser confirmada como nova candidata do PSB à prefeitura de João Pessoa. A informação foi confirmada por uma fonte ligada aos socialistas. O anúncio oficial vai ser feito durante uma reunião do Diretório Municipal na noite desta quarta-feira (27). A mudança ocorre após a retirada da disputa do nome do secretário de Infraestrutura, João Azevedo.

Fontes ligadas ao PSB afirmaram que a escolha por Cida Ramos se deu porque a deputada Estela Bezerra, favorita do partido para substituir Azevedo, deixou claro que não tem interesse em participar do pleito. O governador Ricardo Coutinho teria tentando convencê-la, mas não teve sucesso. No entanto, os militantes girassóis preferem a candidatura de Estela e ainda pretendem fazê-la mudar de ideia.

Formada em Serviço Social e professora da Universidade Federal da Paraíba, Cida Ramos é um dos auxiliares de mais confiança de Ricardo Coutinho. Está na Secretaria de Desenvolvimento Humano desde o começo do governo da gestão do governador e, mais recentemente, passou a acumular a presidência da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac). Se confirmada mesmo candidata, ela deve ser exonerada dos cargos até o dia 2 de junho.

Estela foi candidata à prefeitura em 2012, terminando em terceiro lugar, com 74 mil votos (20% dos válidos). Na época ela enfrentou uma situação parecida, assumindo a candidatura após o então prefeito Luciano Agra desistir da reeleição. Mais tarde ele mudou de ideia e os dois tiveram que concorrer em prévias internas, vencidas pela deputada.

Nesta quarta-feira, Estela não apareceu na Assembleia Legislativa. Já o deputado Gervásio Maia, que também vinha sendo citado como possível substituto de João Azevedo, deixou claro que não tinha interesse na postulação. Presidente da Assembleia, a partir de fevereiro de 2017, Maia disse que esse é o seu foco e que o PSB tem bons nomes para a disputa. As informações são do Jornal da Paraíba.

Casos confirmados de microcefalia chegam a 112 na Paraíba

Até o dia 23 de abril, foram confirmados 112 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita, na Paraíba. Ao todo, foram notificados 864 casos suspeitos desde o início das investigações, em outubro de 2015, sendo que 370 foram descartados. Outros 382 estão em fase de investigação.

As informações são do novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado na terça-feira (26), que reúne as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde. A Paraíba segue na terceira colocação do ranking de estados com maior número de casos confirmados de microcefalia, atrás apenas de Pernambuco (334) e Bahia (221).

Os casos descartados foram assim considerados por apresentarem exames normais ou apresentarem microcefalias ou alterações no sistema nervoso central por causas não infeciosas. A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do vírus da zika, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.

O Ministério da Saúde orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes. As informações são do G1.

Suspeitos de assalto a Correios na PB se entregam e reféns são liberados

Suspeitos de assalto a agência dos Correios de Cruz das Armas, em João Pessoa, se entregam e reféns são liberados (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)
Suspeitos de assalto a agência dos Correios de Cruz das Armas, em João Pessoa, se entregam e reféns são liberados (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)
Suspeitos de assalto a agência dos Correios de Cruz das Armas, em João Pessoa, se entregam e reféns são liberados (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Terminou por volta das 11h desta quarta-feira (27) a tentativa de assalto com reféns à agência dos Correios de Cruz das Armas, em João Pessoa. De acordo com a Polícia Militar, após uma negociação de quase duas horas, os assaltantes resolveram se entregar e libertar os funcionários e clientes que eram mantidos reféns no local. 

De acordo com o coronel Lívio Delgado, da Polícia Militar, três pessoas foram presas e quatro armas apreendidas. Um dos suspeitos detidos teria participado de um assalto à agência dos Correios de Juarez Távora que fez o gerente refém por pelo menos 72 horas, e os outros dois são suspeitos de ser foragidos de um presídio do Rio Grande do Norte. Os presos e o material apreendido foram levados para a sede da Polícia Federal, em Cabedelo.  

Segundo o Centro Integrado de Operações da Polícia Militar (Ciop), por volta das 9h o órgão foi acionado com informações de que havia um assalto no local. Três unidades da PM foram enviadas para o local e conseguiram fazer o cerco ao prédio antes que os assaltantes saísse. 

Ainda de acordo com o Ciop, o prédio foi cercado por policiais militares e federais além de agentes do Grupo de Ações Táticas Especiais da PM (Gate). O órgão explica que os assaltantes teriam solicitado a presença de advogados da comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para participar da negociação. 

De acordo com a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob), por causa do assalto, a rua ficou com vários carros da polícia e do Samu, bem como uma concentração grande de pessoas. O trânsito no local foi bloqueado e a via só foi liberada após a negociação, por volta das 11h20. As informações são do G1.

Por causa da ação da polícia, a avenida Cruz das Armas foi fechada e o trânsito desviado pela Semob (Foto: Divulgação/Semob-JP)
Por causa da ação da polícia, a avenida Cruz das Armas foi fechada e o trânsito desviado pela Semob (Foto: Divulgação/Semob-JP)

Federação define datas das semifinais do Campeonato Paraibano; veja tabela

A eleição da FPF acontece no dia 12 de dezembro.

A Federação Paraibana de Futebol (FPF) definiu, nessa terça-feira (26), as datas das semifinais do Campeonato Estadual. Botafogo, Campinense, CSP e Sousa estão na disputa pelo título.

O jogo de ida entre Botafogo-PB e Sousa foi marcado para este domingo (1º), no Estádio Marizão, em Sousa. Já a partida de volta acontece no domingo seguinte (8) no Estádio Almeidão, em João Pessoa. As partidas estão marcadas para as 16h30.

Também no dia 8 de maio, às 16h30, o Campinense recebe o CSP no Estádio Amigão, pelo jogo de ida da semifinal. O embate de volta, no Almeidão, está marcado para o dia 11 de maio. Caso a Raposa passe pelo Cruzeiro na Copa do Brasil, o jogo será remarcado para o dia 15. As informações são do Portalcorreio.

Campinense e Santa Cruz-PE começam a decidir Copa do Nordeste nesta quarta

Campinense e Botafogo-PB conhecem seus grupos da Copa do Nordeste 2016

Campinense e Santa Cruz-PE fazem, na noite desta quarta-feira (27), o primeiro jogo da final da Copa do Nordeste 2016. A partida acontece a partir das 21h45, no Estádio Arruda, em Recife.

O Campinense vai em busca do bicampeonato, enquanto o Santa Cruz-PE sonha com o título inédito. Os técnicos Francisco Diá e Milton Mendes terão praticamente todo o elenco à disposição. Apenas o armador João Paulo, da equipe pernambucana, não poderá jogar e deve ser substituído por Leandrinho, que já mostrou serviço na rodada passada do Campeonato Estadual.

O jogo de volta está marcado para as 16h do domingo (1º), no Estádio Amigão, em Campina Grande.

Da Redação, com Portalcorreio

Ministério da Saúde confirma segunda morte por dengue em 2016 na PB

Dois casos de morte por dengue já foram confirmados em 2016 na Paraíba, segundo o boletim epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde na terça-feira (26). Em boletim divulgado no últim dia 15, a Secretaria de Saúde do Estado (SES) havia informado que uma morte já tinha sido confirmada.

Conforme o boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, as duas mortes colocam a Paraíba em terceiro lugar, empatado com a Bahia entre os estados nordestinos com mais óbitos por dengue confirmados. O estado do Nordeste com o maior número de mortes por dengue confirmadas é Maranhão, seguido de Pernambuco.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, em 2015, um óbito por dengue foi confirmado na Paraíba.

Com relação à notificação de casos suspeitos, os dados do Ministério da Saúde contabilizam apenas os casos notificados de 1º de janeiro a 2 de abril e, por causa disto ficam abaixo dos números já divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde no último dia 15, que considerava, o período de 1º de janeiro a 11 de abril.

Enquanto o Ministério da Saúde contabilizou 18.402 casos suspeitos de dengue no estado,  a SES já contabiliza 21.168 casos prováveis. As informações são do G1.

Agência dos Correios é arrombada e cofre é explodido na Paraíba

Parte do teto da agência dos Correios de barra de Santa Rosa foi danificado após explosão nesta quarta-feira (27) (Foto: Anne Costa/TV Paraíba)
Parte do teto da agência dos Correios de barra de Santa Rosa foi danificado após explosão nesta quarta-feira (27) (Foto: Anne Costa/TV Paraíba)
Parte do teto da agência dos Correios de barra de Santa Rosa foi danificado após explosão nesta quarta-feira (27) (Foto: Anne Costa/TV Paraíba)

A agência dos Correios da cidade de Barra de Santa Rosa, no Agreste paraibano foi arrombada na madrugada desta quarta-feira (27). De acordo com as primeiras informações da Polícia Militar, o cofre do estabelecimento foi explodido, mas não há confirmação se o dinheiro foi levado.

Testemunhas relataram à polícia que oito homens chegaram na cidade em vários carros por volta das 3h. O grupo arrombou a porta principal da agência e quebrou uma das vidraças. Em seguida, os assaltantes explodiram o cofre. Parte do teto do local foi danificado.

Os criminosos saíram da agência atirando para cima, o que assustou os moradores. O grupo fugiu em direção a cidade de Remígio e jogou grampos na estrada atrapalhando o trabalho da polícia.

Até as 7h30 a Polícia Militar fazia rondas na região, mas nenhum suspeito de participar da explosão foi localizado. No momento do crime, apenas dois policiais estavam na cidade e tiveram que aguardar reforço de outras cidades para iniciar as buscas.

No dia 23 de março, caixas eletrônicos de uma agência foram explodidos também em Barra de Santa Rosa. De acordo com a Polícia Civil, o estabelecimento havia sido reaberto dois dias antes após ter sido atacado em setembro de 2015. Homens invadiram o estabelecimento e realizaram três explosões. Os criminosos atiraram em um transformador de energia elétrica e parte da cidade ficou sem luz. As informações são do G1.

Lira diz que adotará “isenção e imparcialidade” na condução da Comissão do Impeachment

Em entrevista à Rádio Senado, Lira disse que se considera preparado para atuar como presidente da Comissão do Impeachment (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)
Em entrevista à Rádio Senado, Lira disse que se considera preparado para atuar como presidente da Comissão do Impeachment (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)
Em entrevista à Rádio Senado, Lira disse que se considera preparado para atuar como presidente da Comissão do Impeachment (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)

O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) disse, em entrevista à Rádio Senado, que se considera preparado para atuar como presidente da Comissão Especial do Impeachment, por ser disciplinado e ter experiência no trabalho de condução de comissões. O senador tem formação como economista e disse que tem estudado com afinco o Regimento Interno do Senado, para poder aplicar com segurança os preceitos.

Eleito por aclamação nessa terça-feira (26) presidente da Comissão Especial de Impeachment, Raimundo Lira garantiu que vai atuar com a isenção que a função demanda. Ele reiterou que adotará uma forma isenta e imparcial para conduzir os trabalhos da comissão.

“A partir da indicação para a comissão especial tenho de ter posição de total isenção. Não posso fazer nenhuma manifestação sobre ser a favor ou contra o impeachment, porque perderia a condição para conduzir com total imparcialidade a comissão”, disse Raimundo Lira.

Durante a reunião de instalação da comissão especial, os integrantes aprovaram o calendário que prevê a apresentação do relatório no dia 4 de maio e a votação do texto em 6 de maio. Nesta quinta-feira (28), será ouvida a acusação. Na sexta-feira (29), ouve-se a defesa da presidente.

Em discurso de posse, Raimundo Lira agradeceu a confiança dos demais senadores e pediu a todos tranquilidade ao longo do trabalho na comissão. Lira é um dos quatro senadores a participar pela segunda vez de um processo de impeachment.

Eis o cronograma da Comissão:

28/4: Oitiva dos denunciantes

29/4: Oitiva da defesa da presidente Dilma

4/5: Apresentação do relatório do relator Antonio Anastasia

6/5: Votação do relatório

Pagamento dos servidores do Estado começa nesta sexta-feira

O pagamento em dia motiva os servidores municipais, proporciona uma mesa farta no final de ano e garante bons dividendos para o comércio do município.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Administração, confirmou, nesta terça-feira (26), que o pagamento dos servidores vai ser efetuado nesta sexta-feira (29) e no sábado (30).

Com isso, o Governo reforça o compromisso de pagar aos servidores dentro do mês trabalhado, apesar do momento financeiro pelo qual passa o País.

Segundo a Secretaria de Estado da Administração, no primeiro dia recebem aposentados e pensionistas. Já no sábado, será efetuado o pagamento dos servidores da ativa, tanto da administração direta quanto da indireta.

Calendário:

29/04 – Aposentados e pensionistas

30/04 – Servidores da ativa (administração direta e indireta) 

Quase metade das escolas indígenas não tem material didático específico

Censo Escolar de 2015, do Ministério da Educação, mostra que pouco mais da metade, 53,5%, das escolas indígenas têm material didático específico para o grupo étnicoDivulgação Prefeitura de Maricá/Fernando Silva
Censo Escolar de 2015, do Ministério da Educação, mostra que pouco mais da metade, 53,5%, das escolas indígenas têm material didático específico para o grupo étnicoDivulgação Prefeitura de Maricá/Fernando Silva
Censo Escolar de 2015, do Ministério da Educação, mostra que pouco mais da metade, 53,5%, das escolas indígenas têm material didático específico para o grupo étnicoDivulgação Prefeitura de Maricá/Fernando Silva

Ir para a escola e assistir aulas em outro idioma, não conhecer a própria história, aprender a história de outro povo e ter exemplos estranhos à realidade em que se vive é uma situação que parece irreal. No entanto, é assim que são educadas muitas crianças e jovens indígenas. Os últimos dados do Censo Escolar de 2015, do Ministério da Educação (MEC), mostram que pouco mais da metade, 53,5%, das escolas indígenas têm material didático específico para o grupo étnico.

De acordo com especialistas, não são raras as situações em que os indígenas não têm acesso a materiais na própria língua, que utilizam produtos elaborados para outra etnia que não a sua, ou mesmo que aprendem com livros que trazem, para facilitar a lição, elefantes e girafas, animais completamente desconhecidos na Amazônia, por exemplo.

Os indígenas são 0,47% da população brasileira, 817.963 habitantes, dos quais 502.783 vivem na zona rural e 315.180 em áreas urbanas, mostram os resultados preliminares do Censo Demográfico feito pelo IBGE em 2010. Pertencem a cerca de 305 etnias e falam 274 línguas.

“A educação indígena apresenta os mesmo desafios [de inclusão escolar, desempenho e evasão] da educação básica, com grau de dificuldade ainda maior pela especificidade de atendimento a essas populações. O grande número de diferentes grupos indígenas coloca uma dificuldade adicional”, diz a superintendente do programa Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco. “Certamente, a desigualdade não aparece apenas nesses itens, a qualidade da educação está comprometida como um todo”, acrescenta.

Desde 2010, o uso de material didático específico para esse grupo étnico cresce com pequenas oscilações, segundo levantamento do Todos pela Educação, com base nos dados do MEC. Nesse ano,  50,5% das escolas tinham material didático específico. O percentual chegou a 56,7% em 2013. Em 2014, no entanto, houve queda – 50,6% das escolas tinham esse material.

Materiais de outra etnia

Sem material didático específico, os estudantes da aldeia Sowaintê, em Rondônia, usam livros da etnia tupinambá, da Bahia. “São contextos bastante diferentes, cada povo tem sua história e cultura, não somos iguais. Fazer material didático só para uma ou outra não é certo, acabamos trabalhando a história de outro povo, não a nossa”,  diz Ivonete Sabanê. Com 29 anos, ela é professora do 4º e 5º anos na aldeia.

Ivonete decidiu lecionar para atender às necessidades de sua comunidade. Hoje, é aluna do curso de licenciatura em educação básica intercultural para povos indígenas na Universidade Federal de Rondônia (Unir). Juntamente com os alunos, ela montou um livro com desenhos e textos sobre a história do próprio povo. Agora, quer transformar a experiência em material didático para ser trabalhado na aldeia. “Serve para depois, quando os mais velhos não estiverem mais aqui, [os mais jovens] entenderem toda a história do povo, porque ela estará registrada. Eles poderão repassar para as novas gerações e também aprofundar, procurar saber mais”.

“Ainda há muita necessidade de produzir vários tipo de materiais. Quando um povo decide trabalhar seu conhecimento oral na forma de escrita, precisa de vários materiais. Primeiro da alfabetização e depois da sequência dessa formação”, diz o doutor em linguística Joaquim Mana Hunikuin. Ele nasceu na aldeia Praia do Carapanã, no Acre, e hoje trabalha em Rio Branco, como técnico da Secretaria de Educação do estado.

“Vejo que os povos têm a mesma necessidade”, diz, “Povos falantes que querem produzir o seu material didático precisam ter esse conhecimento técnico científico para analisar a própria língua e definir a língua a ser usada na escola. Do material que vem de fora, se aprende a língua portuguesa”.

Ele comenta que há livros que chegam às aldeias que não condizem com a realidade da população. “Há livros que vêm de fora, há imagens desconhecidas. “Na região amazônica, as crianças não conhecem elefante, girafa. Mesmo não entendendo a lógica desses personagens, a ideia é aprender a ler e escrever a língua portuguesa”.

Joaquim Hunikuin informa que há a intenção no estado de produzir materiais específicos, mas o contexto econômico não está favorável e não há recursos para a edição desses materiais.

A coordenadora do Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília (UnB), Ana Suelly Arruda Câmara Cabral, chama a atenção para outra questão, a formação de professores. “Material didático somente não adianta. Os professores têm que ter formação adequada para usar esses materiais. Uma escola pode ter muitos materiais para ensino da língua nas escolas indígenas, mas se não tiver treinamento, se os professores não souberem como fazer, não adianta ter material, que não vai servir para a educação indígena”, afirma.

Ministério da Educação

De acordo com o MEC, o índice de escolas com oferta de materiais didáticos específicos oscila, por um lado, devido ao aumento de escolas indígenas a cada ano. Em 2012, de acordo com o Censo Escolar, eram 2.954 escolas; em 2013, 3.059; em 2014, 3.056; e em 2015, 3.085. Por outro lado, “a tiragem desses materiais, em muitos casos, é pequena”, diz a pasta.

O MEC acrescenta que os materiais didáticos e paradidáticos têm se caracterizado por ser de autoria indígena e produzidos em contextos de formação de professores indígenas no magistério intercultural de nível médio e nas licenciaturas interculturais indígenas. “De modo geral, os materiais produzidos ainda se destinam ao letramento e aos anos inicias do ensino fundamental, havendo grande lacuna para os anos finais e o ensino médio”.

Para o ministério, o grande desafio é ampliar a oferta de toda a educação básica nas escolas indígenas, tendo como estratégia a formação de professores nas licenciaturas interculturais indígenas, que habilitam os docentes nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Essas licenciaturas, de acordo com o MEC, são desenvolvidas em 20 instituições de ensino superior públicas e habilitaram, até 2015, 1.961 professores indígenas.

Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil

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