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Rio Tinto: Moradores questionam anos de aluguel pagos a família dona de ‘cidade privada’

Monumento em homenagem ao fundador, o sueco Herman Theodor Lundgren
Casas construídas paralelamente à fundação da Companhia de Tecidos Rio Tinto

Em Rio Tinto (PB), a 52 km de João Pessoa, praticamente todos os moradores pagam aluguel. Há anos, essa “herança” passa de pai para filho, sem perspectiva de mudar. Com isso, a antiga terra de índios potiguaras ganhou o apelido de “cidade privada”.

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Os herdeiros do fundador do município dizem ser os donos de pelo menos 90% dos imóveis locais, que tem, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 23 mil habitantes.

A titularidade das terras, contudo, está sendo questionada pelo Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB), que apura se as casas foram erguidas em espaços pertencentes à União.

São mais de 5.000 moradores de casas construídas paralelamente à fundação da Companhia de Tecidos Rio Tinto, onde trabalharam muitas dessas pessoas ou seus antepassados. A fábrica chegou a empregar mais de 15 mil pessoas durante todo seu funcionamento. 

A história começa há um século, em 1917, pelas mãos do sueco Herman Theodor Lundgren, que fundou tanto o município quanto a empresa.

O povoamento se deu, sobretudo, com alemães e pessoas vindas de áreas próximas a Rio Tinto.

Monumento em homenagem ao fundador, o sueco Herman Theodor Lundgren

Os imóveis eram “emprestados” aos trabalhadores, que pagavam uma determinada quantia pela permanência no local. Os entrevistados pela reportagem não souberam precisar de quanto eram os pagamentos, mas disseram terem sido sempre valores baixos.

Em meados dos anos 1960, a companhia doou as moradias a funcionários com mais de dez anos de firma como indenização trabalhista.

Esse privilégio, entretanto, foi para poucos. E gradativamente a fábrica diminuiu sua produção, até ser desativada, em 1983.

O início da discórdia

A disputa imobiliária na região mobiliza os sucessores da família Lundgren contra moradores antigos que sonham serem donos de suas casas.

Por muitos anos, estes pagaram os aluguéis sem reclamar ou questionar. Foi a partir de 2010 que as coisas começaram a mudar, segundo conta Josiberto Primo, integrante da Associação dos Moradores de Rio Tinto.

Ele diz que algumas pessoas passaram a divergir dos pagamentos e foram ganhando apoiadores.

Então se uniram para procurar a Companhia de Habitação da Paraíba (Cehap) em busca de uma solução para o impasse. A partir daí, várias audiências públicas foram organizadas.

Um representante dos Lundgren diz que os atuais locatários “pagam alugueis de baixo valor” e que a companhia, atualmente só atuante no setor imobiliário, “tenta viabilizar meios para atender um anseio de parte da população interessada na aquisição dos imóveis” (leia mais abaixo).

Em 2015, a discussão se transformou em inquérito civil no MPF-PB, que defende os trabalhadores, dizendo que essa situação fere o direito constitucional à moradia. “O direito à moradia deles é cerceado, fere-se o direito à moradia, que está posto no artigo 6º da Constituição”, diz José Godoy Bezerra, procurador regional dos direitos do cidadão.

O cadastramento socioeconômico realizado pela Cehap mostrou que mais da metade das famílias em Rio Tinto vive com um salário mínimo e em lares chefiados por idosos. Pelo menos 22% deles são cadastrados em programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família.

A suspensão dos pagamentos como forma de protesto já havia sido tentada em anos anteriores, mas a mobilização não teve à época adesão suficiente.

Segundo o presidente da Associação dos Moradores de Rio Tinto, José Antônio Pereira, pelo menos metade dos locatários não está pagando o aluguel, “mas sempre tem um ou outro que continua pagando, e isso a gente não pode impedir”.

Começaram a chegar cartas dos órgãos de proteção ao crédito, em consequência do não pagamento dos aluguéis, e alguns moradores também enfrentam ações de despejo por conta disso. Mas por enquanto, diz Pereira, elas foram revertidas por decisão judicial. “O juiz entendeu que houve abuso”, afirma.

“Estamos esperançosos de que ao final ganharemos o direito às moradias, já que a companhia construiu casas em terras da União”, diz ele.

“Gastei o que tinha na reforma de algo que não me pertence”

Do terraço de casa, a aposentada Maria das Dores Nascimento, 78, passa horas olhando para a fábrica onde trabalhou por mais de 15 anos.

A aposentada Maria das Dores Nascimento reclama: “Dos meus 78 anos de vida, 60 foram pagando aluguel”

A imagem desperta boas lembranças do tempo em que ela e o finado marido trabalhavam na parte da produção.

Mas hoje ela se revolta. Reclama de ter de pagar aluguel aos herdeiros dos antigos patrões e de não ter nenhuma perspectiva de deixar a casa para os próprios filhos e netos. “Dos meus 78 anos de vida, 60 foram pagando aluguel. Nunca atrasei nem um dia sequer.”

Segundo a aposentada, nos anos mais difíceis, ela e o marido chegaram a deixar de comprar comida para não atrasar o aluguel.

Assim como outros moradores de Rio Tinto, ela conta que precisou fazer reforma no imóvel para não ver as paredes ruírem. “Gastei o dinheiro que não tinha para fazer uma pintura, rebocar uma parede. É difícil saber que nada disso nos pertence, mesmo tendo ficado pagando há tanto tempo.”

Na rua do Sol, o também aposentado Euclides dos Santos, 62, tem carnês de aluguel que se acumulam por mais de 40 anos.

Com problemas cardíacos e diabetes, ele não pode mais trabalhar. Passa o tempo na porta de casa observando o movimento de vaivém na rua.

A casa de dois quartos, cozinha, sala e banheiro, onde ele mora com a mulher, Anita Conceição, 58, e a filha, custa por mês R$ 80.

Para Josefa de Souza, 62, as reformas feitas no imóvel sem contrapartida da companhia ainda pesam no bolso. “Gastei mais de R$ 30 mil em reformas, fiz empréstimo para melhorar a moradia, mas vivo com insegurança”, diz.

“Será que realmente essas casas serão nossas ou continuaremos a pagar aluguel eternamente? Não é essa a herança que quero deixar para meus filhos, embora tenha sido a que recebi dos meus pais”, diz ela, que trabalhou na empresa por mais de dez anos.

MPF: “Nunca tinha visto uma cidade privada”

O destino dos moradores de Rio Tinto pode mudar dependendo do resultado de um estudo técnico que vai ser feito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ao custo de R$ 1,8 milhão, deve ser iniciado nas próximas semanas e vai levar seis meses para ser concluído, segundo o procurador José Godoy Bezerra.

Escritório da Companhia Têxtil Rio Tinto, local onde os moradores vão pagar o aluguel

O levantamento vai tentar responder se as terras em questão pertencem à União ou aos Lundgren, como eles alegam. “É uma situação atípica. Eu nunca tinha visto uma cidade privada. E nunca tinha visto uma cidade tão mobilizada”, afirma.

Segundo o procurador, caso seja provado que as terras são da União, as áreas devem ser repassadas aos atuais ocupantes em um processo de regularização fundiária. “Não sabemos ainda o alcance disso, tudo depende do resultado do estudo”, afirma.

Sendo realmente terras pertencentes à União, os moradores ainda poderão pedir na Justiça o ressarcimento do pagamento feito nos últimos cinco anos.

O Ministério das Cidades também foi acionado para apresentar políticas públicas que visem resolver a situação dos moradores. 

“Eu entendo que as pessoas que hoje pagam o aluguel estão pagando sem saber se os Lundgren são os verdadeiros donos das terras. É possível que estejam pagando a quem não devem. O ideal é que o pagamento seja suspenso até que tenhamos uma definição”, diz.

Para o procurador, a situação afeta até o desenvolvimento econômico da cidade, já que “ninguém se sente à vontade de investir sem segurança”.

Em protesto, moradores deixaram de pagar as dívidas com os herdeiros

Outro lado

Procurados pela reportagem por telefone, nenhum dos advogados da família Lundgren atendeu as ligações.

Mas Walter Schumacher, diretor que administra o escritório da Companhia de Tecidos Rio Tinto, onde os moradores pagam o aluguel, se apresentou como representante dos herdeiros dos Lundgren na cidade há sete anos.

Segundo ele, “a família administrava 2.500 imóveis, sendo que 1.200 estão sendo reivindicados pela Funai (Fundação Nacional do Índio) para uma reserva indígena, mas até a presente data as terras são fruto de um estudo”.

Ele também explicou que os outros 1.300 imóveis no centro da cidade são casas antigas locadas a ex-operários e não operários que pagam “aluguéis de baixo valor”.

O diretor disse que a empresa desativou as atividades têxteis em 1990 e que atualmente administra o setor imobiliário. “Hoje existe um movimento por parte da população interessada na aquisição dos imóveis e a empresa está viabilizando meios para atender esse anseio”, declarou Schumacher.

Por Valéria Sinésio

Colaboração para o UOL, em Rio Tinto (PB) 

Rússia é excluída dos Jogos Olímpicos de Inverno

O Comitê Olímpico Internacional decidiu excluir a Rússia dos Jogos de Inverno, que acontece no ano que vem, em Pyeong Chang, na Coreia do Sul. O anúncio foi feito pela entidade nesta terça-feira (5), a 66 dias do início da competição, que terá sua abertura no dia 9 de fevereiro. A decisão é histórica.

De acordo com a imprensa internacional, a exclusão ocorreu por conta dos escândalos de doping envolvendo o país. Os atletas que não estiverem ligados a casos de doping poderão disputar os Jogos de Inverno, mas sem representar a Rússia.

Vale ressaltar que a Rússia tem tradição e grandes competidores nas Olimpíadas de Inverno.

Prefeitura de Curral de Cima distribui aparelhos de glicemia para diabéticos

A ação atende 17 portadores que estão aptos a receber o equipamento

A Prefeitura de Curral de Cima está realizando a entrega de aparelhos de glicemia a pacientes com diabetes em uso de insulina. A ação é da Secretaria de Saúde e atende os 17 portadores da doença que estão aptos a receber o equipamento no município.

Segundo a secretária de Saúde, Renata Ribeiro, o Município ainda fornece as fitas de glicemia, o Descartex (que é uma caixa específica para armazenamento de lixo perfuro cortantes, como seringas e lancetas) e a insulina que é enviada pelo Estado, além das seringas de 1 ml, próprias para administração do medicamento.

Conforme Renata Ribeiro, a quantidade dos produtos distribuída aos pacientes depende da solicitação médica. Após a consulta é que os pacientes procuram a Secretaria de Saúde para receber os kits para o tratamento.

“Parece pouco, mas as pessoas que usam insulina sabem o quanto é importante esse apoio da Prefeitura. Muitas chegam a gastar de duas a três caixas de tiras, cada uma custando em média de R$ 80 a R$ 100 reais”, disse a secretária.

TCE julga contas de 15 Prefeituras nesta quarta-feira

O Tribunal de Contas do Estado julga nesta quarta-feira (5) a prestação de contas de 15 prefeituras paraibanas. Na ocasião, também serão examinadas as contas de 2015 do Projeto Cooperar, neste caso, sob relatoria do conselheiro substituto Renato Sérgio Santiago Melo.

O TCE verificará as contas dos ex-prefeitos de São José de Piranhas (Renê Trigueiro Caroca, exercício de 2014), Nova Olinda (Maria do Carmo Silva, 2015), Serra Branca (Eduardo José Torreão Mota, 2013), Amparo (José Arnaldo da Silva, 2014), Congo (Romualdo Antonio Quirino de Sousa, 2015), Areia de Baraúnas (Vanderlita Guedes Pereira, 2014 e 2015), Cacimba de Dentro (Edmilson Gomes de Souza, 2015), Vieirópolis (Antonio Cesar Braga, 2015), Lastro (Wilmeson Emmanuel Mendes Sarmento, 2015), Água Branca (Tarcísio Alves Firmino, 2015) e Mamanguape (Eduardo Carneiro de Brito, 2015).

Também serão verificadas, na ocasião, as contas dos atuais prefeitos de Campina Grande (Romero Rodrigues Veiga, exercício de 2013), Serra Grande (Jairo Halley de Moura Cruz, 2015), São João do Cariri (Cosme Gonçalves de Farias, 2015) e Serra da Raiz (Adailma Fernandes da Silva Lima, 2016).

Presididas pelo conselheiro André Carlos Torres Pontes, as sessões do TCE ocorrem, ordinariamente, às quartas-feiras, a partir das 9 horas, com acesso permitido ao público e transmissões ao vivo pela TV TCE-PB (Canal no Youtube).

Morre, em JP, Sérgio Gonzaga, sobrinho do ‘Rei do Baião’

Sérgio Gonzaga ao lado da mãe, Chiquinha Gonzaga, morta em 2011
Sérgio Gonzaga ao lado da mãe, Chiquinha Gonzaga, morta em 2011

Morreu, na noite dessa segunda-feira (4), na capital paraibana, Sérgio Gonzaga, sobrinho do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Ele tinha 63 anos e morreu em casa, vítima de um infarto. Sérgio Gonzaga deixa esposa e três filhos.

Sérgio Gonzaga era diretor da Divisão de Música da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) desde 2013. Em nota, a fundação lamentou a morte do artista, que era filho de Francisca Januária dos Santos, conhecida como Chiquinha Gonzaga, irmã de Luiz Gonzaga, morta em março de 2011.

Nascido no Rio de Janeiro (RJ), em março de 1954, Sérgio Gonzaga morou nos Estados Unidos por 25 anos. De volta ao Brasil, ele morou no Recife e mudou-se para João Pessoa. A data e o horário do velório e do sepultamento ainda não foram definidos pela família.

Flamengo mira atacante de clube espanhol para substituir Guerrero

© Getty Images
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Com o futuro de Paolo Guerrero indefinido, uma vez que o peruano está suspenso do futebol e pode ser punido pela FIFA após testar positivo para a substância benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, o Flamengo já trabalha para contratar um substituto. E o nome que interessa ao clube rubro-negro é Jonathan Calleri, atacante argentino de 24 anos que está no Las Palmas, equipe da primeira divisão do Campeonato Espanhol.

O jogador, segundo o Globoesporte.com, tem passagens pelo Deportivo Maldonado, também da Espanha, pelo West Ham, da Inglaterra, e também pelo São Paulo.

As negociações podem avançar em breve. O Flamengo está à espera do resultado do julgamento de Guerrero junto a FIFA, que deve sair no fim de semana.

EUA avisa que mudará embaixada para Jerusalém

Às vésperas do provável anúncio da mudança da embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, o presidente Donald Trump telefonou, nesta terça-feira (5), para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e para o líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Segundo a agência “Wafa”, Trump já avisou Abbas que mudará a sede da representação diplomática em solo israelense, decisão que pode aumentar a tensão no Oriente Médio. O líder palestino teria alertado o presidente dos EUA de que a medida representa um “perigo para o processo de paz e para a segurança e a estabilidade da região”.

Na visão da ANP, não pode existir um Estado palestino sem Jerusalém Oriental como capital. Já o governo de Israel sequer reconhece a existência desse termo e diz que só há “uma Jerusalém”.

A iminente decisão de Trump é criticada de forma quase unânime pela comunidade internacional, inclusive pela União Europeia e pela Liga Árabe, cujo secretário-geral, Ahmed Aboul Gheit, convidou Washington a evitar qualquer iniciativa “capaz de mudar o status jurídico e político de Jerusalém”.

“Estamos reunidos não para provocar sentimentos hostis, mas para alertar sobre a periculosidade deste momento”, disse Gheit, após uma cúpula extraordinária da entidade no Cairo, capital do Egito. Já o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita exprimiu “séria e profunda preocupação” com uma iniciativa que pode “irritar os sentimentos dos muçulmanos no mundo”.

Por sua vez, a alta representante da União Europeia para Política Externa, Federica Mogherini, reafirmou que a retomada do processo de paz entre Israel e Palestina passa pela “solução dos dois Estado”. “Qualquer ação que possa minar esses esforços deve ser absolutamente evitada”, ressaltou a italiana, após um encontro com o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, em Bruxelas.

O anúncio sobre a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém estava previsto para esta quarta-feira (6), mas a Casa Branca disse que a decisão deve ser comunicada “nos próximos dias”. “Não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando'”, declarou o vice-porta-voz de Trump, Hogan Gidley, confirmando a intenção do presidente.

O sistema de defesa israelense já se prepara para uma possível reação “violenta” dos palestinos, principalmente em Jerusalém. A polícia e o comando central do Exército tiveram diversas reuniões nos últimos dias, em meio às ameaças do grupo fundamentalista Hamas de iniciar uma “Terceira Intifada”, palavra árabe que significa “revolta”.

Jerusalém Oriental é considerada pela comunidade internacional como uma “ocupação” desde sua anexação por Israel, em 1967. Desde então, os EUA adotam uma posição neutra sobre o status da cidade, sem reconhecê-la como capital israelense. Com informações da Ansa. 

Quase mil emendas propõem mudanças na reforma trabalhista

Boa parte das 967 emendas apresentadas à medida provisória (MP 808/17) que modifica a reforma trabalhista (Lei 13.467/17) tem o chamado trabalho intermitente como alvo. Deputados da oposição buscam revogar a novidade ou garantir mais direitos ao trabalhador nestes casos.

O trabalho intermitente é aquele que pode ser realizado durante alguns dias e até horas dentro de um mês, sendo remunerado proporcionalmente. A MP busca garantir o parcelamento das férias em três vezes, auxílio doença, salário maternidade e parte das verbas rescisórias ao trabalhador de jornada intermitente, embora proíba o acesso ao seguro-desemprego.

A medida também determina que tanto o trabalho intermitente quanto a jornada parcial terão contribuição previdenciária proporcional do empregador. Ou seja, para garantir o benefício de um salário mínimo ou mais, o trabalhador terá que cobrir a diferença.

O deputado João Daniel (PT-SE) apresentou emenda para que o empregador garanta uma remuneração mensal equivalente ao piso da categoria em questão ou o salário mínimo, independentemente do contrato. Ele afirma, porém, que as forças políticas são mais fortes para deixar tudo como está ou até flexibilizar mais a legislação.

“Não nos resta outra maneira que não seja contestar, fazer emendas e ir às ruas; enfrentar dentro do Plenário e apoiar as ruas contra a implantação desta reforma. Nós também temos muita fé e muita esperança que a Justiça trabalhista não a reconheça”, disse o deputado.

Menos encargos

Empresário, o deputado Alfredo Kaefer (PSL-PR) pretende adicionar pontos novos à reforma como o que estabelece que não incidam encargos trabalhistas sobre os prêmios de mérito e a participação nos lucros pagos ao trabalhador. Ele ainda quer mudar entendimento da Justiça do Trabalho sobre quais cargos seriam de confiança dentro de uma empresa. Isso porque quem tem cargo de confiança não tem controle de horário, ou seja, não é necessariamente beneficiado com pagamento de horas extras.

“Então nossa emenda visa, por exemplo, afastar a insegurança jurídica dos cargos de confiança. Há mais cargos de confiança além de diretores e presidentes. Você pode indicar vários gerentes com cargos de confiança e a legislação deixou obscura essa situação”, afirmou Kaefer.

A MP 808 foi negociada com o Congresso para ser editada depois que a reforma trabalhista entrasse em vigor, o que aconteceu no dia 11 de novembro. A ideia era evitar que mudanças feitas no Senado levassem a uma nova votação na Câmara. Foram alterados 17 pontos. Um deles é o que determina que as gestantes serão afastadas de atividade insalubre e exercerão o trabalho em local seguro. O trabalho em locais insalubres somente será permitido quando a gestante, voluntariamente, apresentar atestado médico, autorizando a atividade. A nova MP será analisada por comissão especial de deputados e senadores.

Agência Câmara 

Por Previdência, governo promete mais R$ 3 bilhões a prefeitos em 2018

O governo do presidente Michel Temer decidiu liberar mais R$ 3 bilhões a municípios em 2018 caso a reforma da Previdência seja aprovada.

A estratégia é pressionar os prefeitos a influenciarem deputados na Câmara para que eles votem em favor das mudanças nas regras de aposentadoria.

Durante reunião nesta segunda-feira (4), no Palácio do Planalto, integrantes da Casa Civil e dos ministérios da Fazenda e do Planejamento fecharam o projeto que inclui R$ 3 bilhões extras na previsão do Orçamento do próximo ano.

O governo estipulou que metade desse montante deverá ser aplicado na saúde e o restante, em projetos apresentados pelos prefeitos para a melhoria dos municípios.

O discurso oficial é o de que a aprovação da nova Previdência vai trazer benefícios para as contas públicas e tornará mais robusta a arrecadação do governo, o que permitirá mais investimentos por parte da União.

Por isso, afirmam assessores de Temer, é possível se comprometer com a liberação de mais dinheiro mesmo com a meta fiscal de 2018 fixada em um deficit de R$ 159 bilhões.

O objetivo é que a promessa motive os prefeitos a pressionarem seus deputados a aprovar a medida, considerada impopular às vésperas de um ano eleitoral.

Temer já havia anunciado a liberação de R$ 2 bilhões em forma de Auxílio Financeiro aos Municípios para o pagamento da folha dos servidores, repassado via FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

No entanto, a dificuldade do governo em conseguir pelo menos 308 votos para aprovar a reforma na Câmara fez com que a equipe do presidente decidisse adotar uma nova contrapartida.

OFENSIVA

Nesta semana, o Planalto iniciou mais uma ofensiva sobre a base aliada, prefeitos e governadores para tentar reunir pelo menos 308 votos pela reforma -hoje o governo não tem o apoio necessário para fazer avançar a medida.

Em jantar na casa do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), neste domingo (3), ministros e líderes do governo apresentaram argumentos para tentar vencer a resistência dos parlamentares e reorganizar a base na contagem dos votos.

O ministro Dyogo Oliveira (Planejamento), por exemplo, disse no jantar que o PIB pode cair 2,8% em dois anos se a reforma não for aprovada.

Ainda de acordo com o ministro, caso a nova Previdência tenha o aval do Congresso, a taxa de desemprego do país estará entre 8% ou 9% em junho e julho do ano que vem -hoje o índice é de cerca de 12%.

“É isso que temos que vender”, disse Dyogo, segundo relatos de participantes do jantar.Auxiliares de Temer vão analisar se o clima na base para a votação da reforma melhorou em uma nova reunião, marcada para esta quarta-feira (6). Só então decidirão se vão ou não pautar a matéria ainda este ano, como desejava o Planalto. Com informações da Folhapress.

Quase 60% dos brasileiros são favoráveis ao aborto em caso de estupro

Mulheres protestam contra PEC 181 que pode criminalizar o aborto, na Avenida Paulista Rovena Rosa/Agência Brasil
Mulheres protestam contra PEC 181 que pode criminalizar o aborto, na Avenida Paulista Rovena Rosa/Agência Brasil

Uma pesquisa lançada nesta segunda-feira (4) aponta em quais casos o brasileiro é favorável ao aborto, ao ser confrontado com diferentes situações concretas vivenciadas pelas mulheres. Entre os entrevistados, 81% dos participantes da consulta afirmaram que concordavam com a interrupção em, ao menos, um dessas situações: em caso de uma gravidez não planejada; falta de condições para criar; no caso de meninas com até 14 anos; se o feto for diagnosticado com alguma doença grave ou incurável; se a mulher correr risco de vida ou caso ela tenha ficado grávida após ser vítima de um estupro.

Tendo em vista cada uma das situações, o maior índice de apoio à interrupção se dá quando a gravidez resulta de um estupro: 59% dos entrevistados se dizem “totalmente a favor”. Se a mulher correr risco de morte na gestação e/ou no parto, o índice passa para 48%. O número chega a 41% quando o feto for diagnosticado com alguma doença grave e incurável, como quando a mulher contrai zika durante a gestação, comprometendo o desenvolvimento neurológico do bebê.

Os percentuais de apoio diminuem nas situações em que se trata de meninas com até 14 anos grávidas (27%); se a família não tiver condições de criar (19%) e em caso de uma gravidez não planejada (11%). O maior índice de rejeição à interrupção é exatamente neste último caso: 66% se dizem “totalmente contra” o aborto quando a gravidez não é planejada.

Intitulada “Percepções sobre o aborto no Brasil”, a pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva e pela Agência Instituto Patrícia Galvão, em 12 regiões metropolitanas do Brasil, entre os dias 27 de outubro e 6 de novembro. Foram ouvidas 1.600 pessoas, entre homens e mulheres com 16 anos ou mais. O estudo indica que, quando as situações não são explicitadas, a maior parte das pessoas se diz contra o aborto. Questionados sobre “o quanto é a favor ou contra que as mulheres possam decidir por interromper a gravidez”, 62% dos participantes se disseram contrários; 26%, a favor; 10%, nem contra, nem a favor; e 2% não sabiam ou não responderam.

Contradições

O estudo revela que, entre aqueles que se disseram contrários ao aborto de uma forma geral, 75% são favoráveis a que a mulher possa interromper a gravidez em ao menos uma das situações listadas. A aparente contradição é, na opinião da diretora-executiva da Agência Patrícia Galvão, Jacira Melo, uma consequência da forma como o tema é tratado no Brasil. “Quando você coloca o aborto em determinadas situações muito reais e concretas, você vê que as respostas caminham para o lado da racionalidade, da realidade. A população demonstra mais flexibilidade, um olhar mais atencioso para o problema, que é um problema de saúde pública”, afirma.

A pesquisa aponta ainda uma relação entre a opinião sobre o aborto e a escolaridade do entrevistado. O número de pessoas favoráveis à interrupção da gravidez acompanha o crescimento do nível de escolaridade. Entre as que têm o ensino superior completo, 35% disseram ser favoráveis ao aborto. Já o grupo de pessoas que têm até o ensino fundamental completo é o que registra maior índice de rejeição à interrupção da gravidez: 67%.

Pessoas conhecidas

Um dado inédito trazido pela pesquisa aponta que 45% dos entrevistados conhecem uma mulher que realizou um aborto ou interrompeu a gravidez. Em números absolutos, o percentual corresponde a 72 milhões de brasileiros com mais de 16 anos. Do total, 25% afirmaram que a conhecida que interrompeu uma gravidez é uma pessoa próxima e 16% afirmaram não ser “uma mulher não tão próxima”.

Quando analisado o gênero dos entrevistados, a pesquisa conclui que mais mulheres do que homens afirmam conhecer alguém que já realizou um aborto. São 52% no caso das mulheres e 34% no dos homens. “Nós estamos falando exatamente dessa questão: ao pé do ouvido, as pessoas estão falando do tema do aborto, sobretudo as mulheres”, alerta Jacira. Para a diretora da Agência Patrícia Galvão, “se esse tema fosse mais debatido, menos interdito na sociedade, nós teríamos outra posição”.

Criminalização

A pesquisa também investigou a percepção das pessoas sobre a criminalização da prática do aborto. Questionados se “uma mulher que interrompe a gravidez intencionalmente deveria ir para a cadeia”, 50% concordam e 38% discordam. Porém, quando se trata de alguém próximo como uma amiga que tenha feito aborto, 47% das pessoas não fariam nada e somente 7% chamariam a polícia.

A abordagem policial da questão não é considerada a mais apropriada, na opinião da maior parte dos brasileiros. Cerca de 8 em cada 10 entrevistados afirmam que a discussão sobre aborto no Brasil é uma questão de saúde pública ou de direitos, enquanto apenas 1 em cada 10 acreditam que seria um “assunto de polícia”.

PEC 181

Atualmente em discussão na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 181/2015, que tratava inicialmente da ampliação da licença-maternidade para mães com bebês prematuros, inclui dispositivos que podem abrir a possibilidade de proibir todas as formas de aborto no país, inclusive nos casos considerados legais atualmente, como o aborto. Inicialmente, o texto tratava somente da ampliação da licença-maternidade para mães com bebês prematuros

No Brasil, o aborto é legalmente permitido em três casos: quando não há meio de salvar a vida da mãe, quando a gravidez resulta de estupro e quando o feto é anencéfalo. De acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto 2016, feita por pesquisadoras da Universidade de Brasília (UnB), apenas em 2015, 500 mil mulheres realizaram um aborto ilegal. O número pode ser maior, já que muitas pessoas praticam o aborto sozinhas e não comunicam o fato.

Helena Martins – Repórter da Agência Brasil

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