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sexta-feira, 6 novembro 2026
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Pagamento de propina é prática antiga na Odebrecht; esquema na PB somaria quase R$ 2 milhões

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Redação PB Vale
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Reprodução: TV Globo
Reprodução: TV Globo

A propina paga pela Odebrecht por obras na Paraíba durante o governo de Tarcísio Burity, em 1988, somaria quase R$ 2 milhões em valores atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPC-A), medido pelo IBGE. A denúncia sobre os valores pagos foi divulgada neste domingo (27) no programa Fantástico, da Rede Globo, com base em documentos guardados por uma ex-funcionária da empreiteira. No Estado, teriam recebido a propina pessoas cujos codinomes atribuídos pela Odebrecht foram “Graviola”, “Aviador”, “Tênis”, “Pardal” e “Pouca Telha”.

A obra em questão foi a construção das adutoras do complexo Gramame-Mamuaba, destinada ao reforço do abastecimento de água nas cidades de João Pessoa, Santa Rita, Bayeux e Cabedelo. A revista Fisco da época publicou matéria extensa falando da capitação de 6 bilhões de cruzados junto à Caixa Econômica Federal, algo em torno de R$ 132,9 milhões em valores de hoje, atualizados pelo IPC-A, para a construção de uma adutora de 2,5 quilômetros ligando as barragens de Gramame e Mamuaba à estação de tratamento e outra adutora de 36 quilômetros para distribuir água na Região Metropolitana.

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Revista Fisco, nº 154, de 1988
Revista Fisco, nº 154, de 1988

Os documentos em poder de Conceição Andrade, a ex-funcionária da Odebrecht, listam mais de 500 nomes ou codinomes de pessoas beneficiadas com propinas, entre políticos, empresários e agentes públicos na década de 1980. A Polícia Federal afirma que está analisando a documentação. Conceição trabalhou na empresa por 11 anos. O pagamento, na época, segundo ela, foi feito em dólar – uma exigência dos responsáveis pela extorsão.

No caso da Paraíba, o documento que traz no cabeçalho “Adutora J. Pessoa” mostra no topo dos que receberam propina “Graviola”. Ele ficou com 55,5 milhões de cruzados, algo em torno de R$ 1,2 milhão em valores de atualizados com base no IPC-A. Em seguida vem “Pardal”, com 17,1 milhões de cruzados (R$ 379 mil); Tênis, com 8,5 milhões de cruzados (R$ 189,5 mil); “Aviador”, com 4,2 milhões de cruzados (R$ 94,7 mil), e, por último, “Pouca Telha”, com 1,4 milhão de cruzados, o que daria hoje R$ 31,8 mil.

Os valores têm como base o mês de setembro de 1988, conforme a data no cabeçalho do documento, e o último índice consolidado pelo IPC-A, no mês de fevereiro deste ano. Mesmo que as investigações avancem e sejam indicados os agentes públicos que teriam recebido a propina, o crime já estaria prescrito, de acordo com informações da Polícia Federal. Os documentos mostram apenas que o esquema de propina não é novo.

As informações são do Blog de Suetoni Souto Maior.

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