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quinta-feira, 10 setembro 2026
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Mentiras no trabalho: por que acontecem e como evitá-las

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Redação PB Vale
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Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria
(Foto: Isaque Martins)

“Especialista explica por que funcionários mentem e como empresas podem reduzir esse comportamento”.

A mentira no ambiente corporativo é tão antiga quanto o próprio trabalho. Desde as primeiras civilizações, a falsificação de informações tem sido usada para evitar represálias, garantir vantagens ou simplesmente atender a exigências que parecem impossíveis. Mas se mentir pode ser visto como uma solução momentânea, as consequências a longo prazo costumam ser devastadoras tanto para os indivíduos quanto para as empresas.

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Historicamente, algumas das maiores fraudes empresariais começaram com pequenas mentiras, até se tornarem grandes escândalos financeiros. Em menor escala, no dia a dia corporativo, a prática se manifesta na adulteração de dados, no exagero de resultados e até na omissão de informações críticas. Para Virgilio Marques dos Santos, especialista em gestão de carreiras e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, a pressão por metas irreais e o medo de retaliação são algumas das principais causas desse comportamento.

“Já vi muitas situações em que funcionários foram levados a mentir porque simplesmente não havia espaço para questionar objetivos irreais. Uma vez, quando argumentei que uma meta era impossível, ouvi apenas frases genéricas como ‘se dedicar mais’ e ‘usar tecnologia’. No fim, aceitei a meta sabendo que estava, de certa forma, mentindo para mim mesmo”, relata Santos.

A cultura corporativa também tem um papel central. Ambientes onde a contestação não é bem-vinda tendem a incentivar a falsificação de informações. Santos lembra de uma experiência em que apontou problemas estruturais em uma empresa e, em vez de ser ouvido, foi ignorado pela liderança intermediária. “Só quando o vice-presidente decidiu investigar pessoalmente ele percebeu que estava sendo enganado. O problema é que a maioria dos funcionários não se sente segura para falar a verdade, especialmente quando isso pode prejudicar suas carreiras“, analisa.

Além da cultura organizacional, os sistemas de recompensa também influenciam esse comportamento. Se um bônus é baseado em métricas fáceis de manipular, é provável que alguém tente fraudá-las. “Se um funcionário percebe que forjar números lhe traz vantagens e que os desvios não são punidos, a tendência é que o comportamento se perpetue”, alerta Santos.

Mas é possível criar ambientes onde a mentira seja desnecessária e desencorajada. Empresas como Google e Zappos se destacam por promover transparência, comunicação aberta e feedback constante. Segundo o especialista, qualquer organização pode reduzir a incidência de mentiras adotando políticas claras de ética, canais seguros para denúncias, treinamentos regulares sobre integridade e, principalmente, uma liderança que sirva de exemplo. “A honestidade no trabalho não é só uma questão de moralidade, mas de estratégia. Empresas que cultivam transparência constroem relações mais sólidas com funcionários e clientes, além de evitar crises desnecessárias”, conclui.

A longo prazo, a mentira pode parecer um atalho para o sucesso, mas os riscos são altos. Profissionais que valorizam a honestidade e constroem uma reputação baseada na transparência tendem a ter carreiras mais sólidas e respeitadas. No fim das contas, a verdade, apesar de desconfortável em alguns momentos, é sempre a melhor escolha.

Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, gestor de carreiras, PhD, doutor, mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black Belt pela mesma Universidade. Autor do livro “Partiu Carreira“, TEDx Speaker, foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.

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