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sábado, 19 setembro 2026
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Lula lança ‘Desenrola’ para pequenas empresas e microempreendedores

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Redação PB Vale
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São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança nesta segunda-feira (22) o programa Acredita, semelhante ao Desenrola, voltado a pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEIs). O pacote, que prevê a renegociação de dívidas e acesso ao crédito, será instituído por meio de Medida Provisória (MP) que Lula vai assinar em evento no Palácio do Planalto, com a presença de ministros e representantes de entidades de estímulo ao empreendedorismo.

A iniciativa é inspirada no Desenrola Brasil, que tem como público-alvo pessoas com o CPF negativado. Recentemente prorrogado até o dia 20 de maio, o programa já possibilitou a renegociação de aproximadamente R$ 50 bilhões em dívidas. Ao menos 14 milhões brasileiros foram beneficiados, de acordo com o governo federal. No caso do Acredita, as empresas poderão financiar seus débitos com seis meses de carência. Isso significa que nesse período não será preciso pagar as parcelas.

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Durante evento, na semana passada, o ministro das Micro e Pequenas Empresas, Márcio França, afirmou que a expectativa do governo é de que as renegociações feitas pelo programa tenham juros abaixo dos praticados no mercado. O Acredita também será baseado em quatro eixos para atender diferentes públicos. No primeiro, por exemplo, o foco será nos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), que tem como público-alvo as famílias de baixa renda, os trabalhadores informais, as mulheres, os pequenos produtores rurais que acessam o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o apoio ao programa Fomento Rural.

Incentivo às mulheres empreendedoras

Essa primeira faixa contará com uma fonte de R$ 500 milhões em recursos para investimentos em 2024, segundo a gestão Lula. O objetivo principal é atender as mulheres empreendedoras. Segundo o governo, a população feminina tem mais dificuldade de acesso ao crédito no Brasil.

“Apenas 6% das empreendedoras contaram com auxílio de instituições financeiras para abrir seus negócios. E a maioria, o equivalente a 78%, começou a empreender com recursos próprios, segundo o Sebrae. Do total de empreendedoras, 54,9% conciliam as tarefas domésticas e do negócio, sendo um dos fatores apontados por elas que afetam o seu desempenho. Mais de 70% das empreendedoras têm dívidas, sendo que 43% estão com parcelas atrasadas. As mulheres que se enquadram nessa estatística são predominantemente negras, das classes D e E, com faturamento de até R$ 2,5 mil e que empreendem por necessidade”, afirma.

Já o eixo 2 tem como público-alvo os MEIs, as microempresas e as pequenas empresas com faturamento bruto anual até R$ 4,8 milhões e que estão inadimplentes com os bancos. Dados da Serasa Experian apontam que cerca de 6,3 milhões de micro e pequenas empresas estavam inadimplentes em janeiro de 2024.

Acredita terá crédito para construção civil

Com o programa os bancos poderão elevar seu nível de capital para a concessão de empréstimos. A gestão também destaca que o incentivo não criará gasto para a União neste ano. E o custo estimado em renúncia fiscal será baixo, na avaliação da presidência, ficando na ordem de R$ 18 milhões em 2025. E R$ 3 milhões em 2026, sem nenhum custo para governo no ano seguinte.

O programa será baseado no crédito imobiliário, já que a avaliação é de que o setor de construção civil no país opera abaixo das possibilidades. Desta forma, tendo como público-alvo o mercado imobiliário e setor de construção civil, o Acredita criará um mercado secundário de crédito imobiliário mais robusto para potencializar esse setor no Brasil. A ação, diz o governo, beneficia especialmente as famílias de classe média, que não se qualificam para programas habitacionais populares, mas para quem o financiamento a taxas de mercado é muito caro.

A gestão Lula também estrutura a iniciativa na chamada Proteção Cambial para Investimentos Verdes (PTE). A medida visa incentivar investimentos estrangeiros em projetos sustentáveis no país e oferecer soluções de proteção cambial. Com isso, a expectativa é de que os riscos associados à volatilidade de câmbio podem ser minorados e não atrapalhar negócios que são cruciais à Transformação Ecológica brasileira.

Acesso ao crédito

Outro eixo do programa tem como público-alvo os investidores estrangeiros, as empresas de projetos sustentáveis, o mercado financeiro e as entidades governamentais envolvidas em sustentabilidade. Intitulada como Eco Invest Brasil, o programa tem como parceiros o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Central.

Além disso, a MP que será assinada nesta segunda cria ainda o Procred 360. Uma política de estímulo ao crédito para MEIs e microempresas, com faturamento até R$ 360 mil ao ano. As empresas que tiverem o Selo Mulher Emprega Mais, e as que tiverem sócias majoritárias ou sócias administradoras poderão pegar empréstimos maiores, de até 50% do faturamento anual do ano anterior. O novo programa também deverá refinanciar dívidas obtidas pelos pequenos negócios com empréstimos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), criado para facilitar o crédito e mitigar impactos da pandemia da covid-19 para pequenos empresários.

A partir da nova MP, quem está inadimplente de dívidas do Pronampe poderá renegociá-las com os bancos, mesmo após a honra das garantias, permitindo que estes empresários voltem ao mercado de crédito. Será criado um limite expandido, de 50% do faturamento bruto anual, para empresas que tenham mulheres como sócias majoritárias ou sócia administradoras.

RBA

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