23.4 C
Mamanguape
quarta-feira, 6 maio 2026
                          

Famílias dos pilotos contestam relatório e apontam falha no avião de Eduardo Campos

Mais Lidas

Redação PB Vale
Redação PB Valehttp://www.pbvale.com.br
O PBVale é um veículo de comunicação ágil, com linguagem acessível e totalmente focada no digital. Informar, escutar, interagir, debater, denunciar, diversificar, entreter e prestar serviço à sociedade do Vale do Mamanguape e da Paraíba são especialidades do portal.
Câmera de segurança flagrou queda de avião que matou Eduardo Campos (Foto: Reprodução/GloboNews)
Câmera de segurança flagrou queda de avião que matou Eduardo Campos (Foto: Reprodução/GloboNews)

Os advogados das famílias do piloto Marcos Martins e do copiloto Geraldo Magela da Cunha, que comandavam o avião no qual morreu o então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, contestaram as conclusões do documento apresentado ontem pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e apresentaram nesta quarta-feira (20), na capital paulista, um relatório alternativo sobre o que teria causado o acidente. De acordo com o Cenipa, a falta de capacitação dos pilotos para operar a aeronave foi um dos fatores que contribuiu para a tragédia.

Contratado pelas famílias dos pilotos, o comandante Carlos Camacho, especialista em acidentes aéreos que trabalha no caso, defende que houve falha no sensor de velocidade, cuja função é posicionar o estabilizador horizontal da aeronave. Um erro no funcionamento desse sensor, que é automático, provoca o abaixamento abrupto do nariz da aeronave, o que teria ocorrido no acidente em Santos.

Com a situação, explicou Camacho, os pilotos não tiveram tempo e altura suficientes para reposicionar o avião. Camacho destaca que o fabricante da aeronave, um modelo Cessna 560 XL, emitiu aviso de que o processo do recolhimento do flap com velocidade acima de 360 quilômetros por hora poderia provocar essa falha e gerar um acidente.

Os advogados do caso, Josmeyr Alves Oliveira e Ruben Seidl, citam duas falhas semelhantes, envolvendo o mesmo modelo de avião, mas que não resultaram em acidentes com mortes, uma vez que os pilotos voavam em alturas superiores. O avião de Eduardo Campos, por sua vez, estava a apenas 300 metros do solo.

Falha humana

Os advogados refutaram a hipótese de falta de capacitação dos pilotos. Ruben Seidl disse que eles tinham todo treinamento adequado e contavam com experiência na aviação. Os dois fizeram, juntos, 90 voos naquele mesmo avião. “Nenhum candidato à Presidência da República pegaria um novato para pilotar a aeronave, isso é bastante óbvio. Nós contestamos essa versão”, disse.

Para a defesa, os pilotos não estavam sob efeito da desorientação espacial no momento do acidente, já que tiveram a clareza para, após a arremetida, desviar do Monte Serrat, em Santos.

Josmeyr disse que os parentes dos pilotos ficaram indignados com o resultado da investigação do Cenipa. “Foi muito falado dos pilotos, em 70% do tempo falaram deles”, reclamou o advogado. Para Josmeyr, faltou uma análise aprofundada sobre as condições da aeronave.

Simulação

Os advogados criticaram ainda a falta de realização de uma simulação de voo. “Disseram que não puderam fazer porque o processo criminal corre em Santos e a empresa que poderia ter cedido o equipamento não poderia passar por cima da investigação da Polícia Federal”, disse Josmeyr. “Esse vazio nos deixou muito intrigados”, complementou.

Ruben argumenta que a Lei 12.970 de 2014, que dispõe sobre o sistema de investigação de acidentes aéreos, determina que o Cenipa tem preferência sobre qualquer outro órgão investigativo na utilização do simulador. “Ou seja, tinha prerrogativa legal, mas não quis usar, preferiu omitir-se”, declarou. De acordo com ele, a falta de evidências foi a justificativa do Cenipa para que a simulação não tenha sido feita.

Os advogados disseram que vão enviar o relatório apresentado hoje para os Estados Unidos, onde corre um processo contra o fabricante do avião, a empresa Cessna. As famílias pedem uma indenização que pode chegar a 600 milhões de dólares.

Por Fernanda Cruz

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Últimas

Bayeux: Ministério Público de Contas se manifesa pela reprovação das contas da gestão de Luciene Gomes

Em mais um parecer, Ministério Público de Contas da Paraíba aponta graves irregularidades na gestão da Prefeitura de Bayeux...
- Publicidade -

Relacionados

- Publicidade -