O número de jovens que vão votar pela primeira vez este ano já é 43% maior do que em 2014, quando foram eleitos presidente, governadores, senadores e deputados. Segundo levantamento do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), 97.464 jovens de 16 a 18 anos incompletos procuraram os cartórios eleitorais na Paraíba até o último dia 7 para realizar a inscrição eleitoral. Considerado por muitos analistas políticos o momento mais complicado da história recente do país, a simbologia do primeiro voto ganha ainda mais força diante do cenário de crise política e econômica.
Não bastasse os escândalos de corrupção que envolvem políticos e partidos de todas as ideologias, o jovem eleitor também se depara com uma perigosa polarização que divide o país. Embora tudo isso tenha gerado muita confusão na cabeça dos jovens, as estatísticas do TRE mostram que eles não estão alheios e querem participar do processo eleitoral. O aumento de jovens entre 16 e 18 anos incompletos já superou a marca dos 30 mil em relação a 2014. E o prazo só encerra no dia 4 de maio.
Para o cientista político Fábio Machado, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), não é possível diagnosticar se o que está acontecendo no país atualmente favorecerá ou não o processo de conscientização política do jovem. “Desde 1988, este é o período mais grave que o país atravessa, pela correlação de força e o quadro de crise econômica. A principal preocupação é o fato de que esses jovens estão entrando na vida cidadã em meio a uma grave crise constitucional”, avalia.
O descrédito do jovem nas instituições preocupa o especialista, que alerta para a falta de confiança dos eleitores nos atores políticos. “A democracia só é possível se existirem instituições políticas fortes e consolidadas e também quando os eleitores acreditam nas suas lideranças. Quando não tem uma coisa nem outra, você fica num cenário caótico e difícil”, ressalta Machado.
E é assim, sentindo-se no meio do caos, que a estudante Tainá Araújo, de 18 anos, se insere no processo eleitoral. Ela não esconde a decepção com a política e confessa que se sente confusa em relação ao cenário atual. “Se eu pudesse, não votaria esse ano, mas como não tenho opção, vou fazer com responsabilidade. Procurar um candidato limpo e que tenha compromisso com a educação”, disse. Já o estudante Danilo Lima, de 15 anos, poderia adiar o primeiro voto, mas faz questão de exercer seu direito. “Decidi votar porque quero mudar meu país, começando pela minha cidade”, disse. Danilo já terá completado 16 anos até o dia das eleições, por isso, pôde realizar a inscrição eleitoral.
Independente da falta de crédito com as estruturas partidárias, o cientista político Fábio Machado ressalta a importância de provocar a consciência política nos jovens. “O engajamento dos jovens também podem acontecer a partir das ações da sociedade civil. A política não é só feita de partidos, o jovem tem um largo campo para se engajar. O próprio movimento estudantil, que já foi tão forte, projetos sociais. Isso traz consciência política a qualquer cidadão”.
Número de jovens de 15 a 18 anos que tiraram o título
Eleições de 2012 – 58.042
Eleições de 2014 – 68.062
Eleições de 2016 – 97.464 (até o dia 7 de abril)
Inscrição eleitoral vai até 4 de maio
Só na última semana de março, o TRE-PB levou 5.961 jovens cidadãos paraibanos, com idade entre 16 e 18 anos incompletos, aos cartórios eleitorais para realizar a inscrição eleitoral. O número superou em quase mil o número de inscrições eleitorais realizadas na primeira semana da campanha Jovem Eleitor.
Para o presidente do TRE-PB, desembargador José Aurélio da Cruz, a adesão mostra que os jovens paraibanos estão motivados a participar de forma expressiva das Eleições 2016. “Eles são importantes para renovação do cenário eleitoral brasileiro”, ressaltou.
A inscrição eleitoral segue até o dia 4 de maio. Essa data também é o último dia para o eleitor requerer transferência de domicílio ou para o cidadão que mudou de residência dentro do município pedir alteração no seu título eleitoral e também para o eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida solicitar sua transferência para seção eleitoral especial (Lei nº 9.504/1997).
Por Larissa Claro, do Jornal da Paraíba


