
Em discurso na tribuna do Senado Federal nessa quinta-feira (9), o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) agradeceu ao ex-presidente Lula e lembrou a luta do seu pai, o ex-governador Ronaldo Cunha Lima (in memoriam) em favor da Transposição do Rio São Francisco.
Cássio disse que não há como deixar de reconhecer o agradecimento ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o petista teve coragem, firmeza e capacidade política de fazer mais do que uma obra de engenharia civil. O tucano lembrou também considerou indispensável a participação do então vice-presidente José Alencar (in memoriam) para que a obra saísse do papel.
Em sua fala, o senador destacou a importância da obra para o estado, que não possui um único rio perene sequer. “Foi a maior emoção da minha vida pública. Já fui prefeito, governador, deputado federal, superintendente da Sudene, sou hoje senador, mas nunca tive uma alegria tão intensa, tão genuína, tão forte como a que tive ontem com a chegada das águas do São Francisco ao nosso estado”, confidenciou.
O senador cumprimentou os responsáveis pela obra de transposição, que, segundo ele, realizaram o que já era proposto pelo imperador D. Pedro II. Ele lembrou que ainda no governo do então presidente Itamar Franco (in memoriam), o debate sobre a transposição ganhou força e começou a dar os primeiros passos através da participação de dois paraibanos no Ministério da Integração.
Cássio também ressaltou a luta do ex-senador Marcondes Gadelha, que na década de 60, 70, já defendia a realização da obra.
Ronaldo Cunha Lima cobrou a obra
No dia 1º de dezembro de 1998, o então senador Ronaldo Cunha Lima pediu que as águas do rio São Francisco fossem transpostas para o interior do Nordeste. Ele afirmou que fazia seu pronunciamento em solidariedade ao “Grito das Águas”, movimento suprapartidário que aconteceu em Campina Grande.
Na época, ele disse que, na Paraíba, 70% dos açudes estavam secos. Lembrou que desde 1996 se anunciava uma grande seca para o Nordeste e que há 100 anos a transposição do São Francisco foi prometida. O senador recordou ter pedido a transposição ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, com a certeza de que ele atenderia à solicitação. Da mesma forma, pediu à bancada paraibana no Congresso o apoio a uma emenda orçamentária em favor da transposição.
Ronaldo afirmou que continuaria pedindo pelos nordestinos “que, em sua crença, já pediram o São Francisco até a São José”. “Não importa que, em vez da asa branca, seja um tucano que anuncia o advento desse novo tempo”, disse.
Antes, no dia 8 de janeiro de 1998, Ronaldo Cunha Lima tinha defendido a urgente execução do projeto de transposição das águas do rio São Francisco, argumentando que, além de tecnicamente viável e economicamente rentável, com custo estimado em apenas R$ 800 milhões, a obra resolverá definitivamente o problema da sede no Nordeste.
“Se não solucionar o problema da seca, pelo menos a metade da população do semi-árido vai ter água para beber”, afirmou. Conforme o então senador, milhões de reais tinham sido gastos com ações quase sempre transitórias e o que foi despendido pelo governo durante a última seca seria suficiente para viabilizar a transposição de águas.
“Nesse caso, é mais barato construir”, ponderou. Ronaldo Cunha Lima considerava imprescindível a obra que, além de reduzir as perdas de água por evaporação nos açudes, aumentaria a segurança hídrica regional, garantindo o abastecimento perene às atividades econômicas”.
Por Alexandre Freire, com Jornal Correio da Paraíba


