Um documento encaminhado ao Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e ao qual a imprensa local teve acesso revela denúncias graves envolvendo a atual gestão do Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba (Coren-PB). O material, assinado por integrantes do próprio colegiado, descreve um cenário de intimidação, autoritarismo, abuso de poder e suposta falta de transparência administrativa dentro da autarquia.

Segundo o documento, membros do Coren-PB denunciam uma postura considerada “intimidadora”, que, de acordo com o texto, “não apenas constrange os membros do colegiado, mas também fere de morte o princípio democrático, transformando o que deveria ser um espaço de debate plural em um ambiente de imposição unilateral”.

Ainda conforme o relato, esse comportamento revelaria “um padrão preocupante de abuso de poder, que se estende para além das plenárias”.

Funcionária confirma denúncias e relata precariedade estrutural

Procurada pela reportagem, uma funcionária do Coren-PB, que pediu para não ser identificada por medo de represálias, confirmou parte das denúncias e relatou uma situação de precariedade no funcionamento interno do órgão.

“Passamos o ano de 2025 sem papel ofício, pedindo emprestado em outro COREN. Sem papel higiênico, sem papel para enxugar as mãos, sem nenhum produto de limpeza. Café e açúcar eram feitos cotas entre os funcionários. Vários anos que trabalho no Coren-PB e nunca vi isso acontecer”, afirmou.

Suposto abuso de autoridade e favorecimentos

O documento enviado ao COFEN também aponta um suposto “abuso de autoridade” por parte da presidência do conselho regional, além de práticas que, segundo os conselheiros, comprometem princípios básicos da administração pública.

Entre os principais pontos denunciados estão:

Escolhas por preferência pessoal

As decisões administrativas e designações de atividades, segundo o texto, estariam sendo realizadas com base em critérios pessoais da presidência, em detrimento de critérios técnicos, impessoais e da isonomia entre os conselheiros.

Seleção sigilosa para viagens e eventos

O documento também afirma que a escolha de conselheiros para participar de viagens, eventos internos e atividades do sistema COFEN ocorre de forma sigilosa, sem comunicação prévia ao plenário. Com isso, os mesmos nomes seriam repetidamente contemplados, enquanto outros seriam excluídos, em “claro desrespeito ao princípio da igualdade de direitos”.

Postura autoritária e centralização de poder

Ainda segundo o relatório encaminhado ao Conselho Federal, a presidência do Coren-PB adota uma postura descrita como:

“Centralizadora, personalista e autoritária, desprezando os princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência que regem a administração pública”.

Silêncio institucional

Até o momento, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) não se manifestou oficialmente sobre as denúncias encaminhadas pelos conselheiros do Coren-PB. A presidência do conselho regional também não apresentou nota pública esclarecendo os fatos relatados no documento.

A reportagem segue aberta para manifestação dos citados.