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quarta-feira, 11 março 2026
                          

Vírus da zika na Paraíba é igual ao que circulou na Polinésia Francesa

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Redação PB Vale
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Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, divulgaram novos detalhes da pesquisa sobre a amostra do vírus da zika que infectou mulheres grávidas na Paraíba. Esse vírus é igual ao que circulou na Polinésia Francesa e que também foi associado à microcefalia em bebês.

Outra revelação: o vírus da zika que está circulando no Nordeste é muito semelhante a um tipo de vírus que provoca uma doença que já tem vacina.

Nos laboratórios da Fiocruz, os pesquisadores tentam decifrar o vírus da zika. O vírus é igual ao que circulou na Polinésia Francesa em 2013 e onde foram registrados, pelo menos, 17 casos de microcefalia.

Esse é o primeiro sequenciamento genético completo do vírus da Zika ligado a um caso de microcefalia no Brasil. Os cientistas analisaram o líquido amniótico de mulheres grávidas de bebês com microcefalia ou malformação no cérebro na Paraíba.

Uma das mulheres teve os sintomas da zika na décima semana de gestação. A outra, na décima-oitava. Mas o líquido amniótico só foi coletado na vigésima-oitava semana, mais de dois meses depois. E mesmo assim, os pesquisadores encontraram nas amostras uma grande quantidade de vírus da Zika ativo. Significa que o vírus pode permanecer por mais tempo do que se pensava no organismo das mulheres grávidas.

“Tudo do zika está sendo surpreendente. Acho que cada dia a gente está tendo uma informação nova, até então a ultrassonografia vinha, era normal, elas estavam tendo uma gestação normal. Na ultrassonografia da vigésima-oitava semana já estava presente a microcefalia”, diz Ana Bispo, pesquisadora da Fiocruz.

O estudo foi uma parceria de pesquisadores da Fiocruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Professor Joaquim Amorim Neto, na Paraíba. O método que eles usaram permitia identificar todos os vírus e bactérias presentes no líquido amniótico. Mas só o vírus da zika foi encontrado em grande número.

“Então a gente pode dizer que realmente o zika era o agente que estava implicado naquele quadro ali de microcefalia”, explica a pesquisadora Ana Bispo.

O estudo foi publicado na revista científica internacional ‘The Lancet Infectious Diseases’. Segundo os cientistas, o vírus brasileiro não é da mesma linhagem do vírus da África. E mais: o vírus da zika encontrado no líquido amniótico das grávidas da Paraíba é muito mais parecido com o da febre amarela do que com o da dengue e mais semelhante ainda ao da encefalite japonesa, que causa malformações congênitas. E já existe vacina contra essa doença.

“Vendo a proximidade do zika com a encefalite japonesa, eu acho que merece sim uma investigação”, diz Ana Bispo.

A descoberta pode abrir um novo caminho para as pesquisas.

Da Redação, com informações do Bom Dia Brasil

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