A assessora de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice
A assessora de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice
O Brasil foi citado quatro vezes pela assessora de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice, em discurso feito na quinta-feira (17) à noite em Washington, durante solenidade sobre as transformações que ocorrem no momento no Hemisfério Ocidental. Em uma das vezes, a assessora do presidente Barack Obama fez referência ao atual momento político brasileiro: “Para navegar neste momento desafiador, os brasileiros devem contar com a força de suas instituições democráticas e sua resiliência como um povo”.
Susan Rice falou no Centro Adrienne Arsht da América Latina, uma entidade que visa a discutir, em escala global, as ideias e os projetos públicos e privados realizados na América Latina.
Nas Américas, segundo Susan Rice, os Estados Unidos continuarão a apoiar a construção de instituições responsáveis, duráveis, que sustentem a democracia, o crescimento econômico e os serviços básicos. Citou os casos do Chile, que está reformando suas leis de lobby; do México, que vem fortalecendo o Judiciário; e do Paraguai, que aprovou recentemente uma lei que torna obrigatória a publicação online dos salários dos funcionários do governo.
Em seguida, Susan Rice citou o Brasil: “Por todo o Brasil, os cidadãos estão levantando suas vozes em nome de princípios que estão na base das sociedades democráticas e justas, incluindo o Estado de Direito, o devido processo legal e [a necessidade de] prestação de contas”.
Ela defendeu a colaboração que os Estados Unidos vêm mantendo com parceiros regionais para enfrentar ameaças à saúde. Mencionou a colaboração que o governo e as instituições de saúde norte-americanas vêm realizando para combater o vírus Zika. “Juntamente com o Brasil e a Colômbia, estamos realizando pesquisas para mitigar os efeitos do vírus”, afirmou.
Segundo a assessora, os Estados Unidos e o Canadá enviarão especialistas em saúde pública para os países que enfrentam surtos de Zika ou doenças similares. “Esse trabalho também vai ajudar a melhorar a saúde pública e a capacidade científica nas Américas e reforçar a nossa capacidade de combater outras doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue e chikungunya”, disse Susan Rice.
“Por meio de nossa Agenda Segurança Mundial da Saúde, vamos apoiar os parceiros em toda a região para melhor prevenir, detectar e responder a ameaças de doenças infecciosas, antes que se tornam epidemias.”, acrescentou.
Ao falar sobre a cooperação econômica para a energia limpa, Susan Rice disse que os Estados Unidos estão trabalhando para assinar um acordo histórico para os países situados entre o Canadá e o Caribe, onde o clima é vulnerável em razão da mudanças das condições metereológicas. “Temos também vantagens únicas quando se trata de energia limpa, que estamos aproveitando por meio da nossa Parceria para a Energia e Clima das Américas. O Brasil tem sido um líder em biocombustíveis. O Chile está desenvolvendo fontes geotérmicas. E o Haiti, depois do devastador terremoto de 2010, construiu o maior hospital movido a energia solar do mundo”, lembrou.
Um movimento atípico em sextas-feiras no Congresso Nacional deu início nesta sexta (18) à contagem do prazo de dez sessões plenárias para que a presidenta Dilma Rousseff se manifeste sobre o processo de impeachment que começa a ser analisado pelos deputados da comissão especial instalada na quinta-feira (17). O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abriu sessão não deliberativa, que entra na contabilidade dos dias. Em poucos minutos, mais de 60 deputados registraram presença, enquanto o quórum mínimo era de 51 parlamentares.
Cunha confirmou novas sessões na próxima segunda (21), terça e quarta-feira, véspera de feriado que geralmente esvazia a Casa. O peemedebista já havia anunciado que a comissão que analisa o processo de impeachment terá “agilidade total”, mas lembrou que, dependendo do tempo usado pelo Planalto para a apresentação dos argumentos, esse ritmo pode ser comprometido. A estimativa inicial era de 45 dias para a comissão concluir o parecer que será submetido ao plenário da Casa.
Há mais de seis meses a Câmara não registra quórum mínimo às sextas e segundas-feiras. Como a sessão do dia 21 é extraordinária, a previsão é que também reúna o número de deputados necessários. “Na segunda-feira já estava programada a sessão deliberativa e iremos votar. Foi combinado antes do processo que foi colocado”, disse Cunha. A sessão foi marcada para as 18h, depois do acordo firmado entre líderes, que têm reunião as 16h para definir se a composição das bancadas será calculada pelo início da legislatura ou pela alteração, com o fim do prazo hoje para mudança de partido sem a perda do mandato, a chamada janela partidária. O processo permitiu que, até a manhã de hoje, 63 parlamentares trocassem de legenda sem sofrer sanções. “Minha estimativa é que passará de 70 até o fim do dia”, adiantou.
Cunha defendeu que a comissão trabalhe com “serenidade, mas também com celeridade”. Ele voltou a destacar que o colegiado tem “importância relativa” e que a decisão final será dada em plenário. “Vi, pelo líder do governo, que eles vão antecipar a apresentação da defesa. Seria muito bom porque facilitaria o processo para que fosse mais rápido. É bom para todo mundo ser for rápido. [O prazo] pode ser abreviado. Se ficar neste ritmo de dar quórum às segundas e sextas, pode cair para 30 dias”, afirmou.
Enquanto o presidente da Câmara aposta na apresentação do relatório em plenário na semana do dia 20 de abril, a oposição acredita na conclusão do processo em menos tempo. “Alcançamos o quórum hoje. Significa mais um dia no avanço do processo de impeachment e um dia vencido para que a presidenta Dilma Rousseff apresente sua defesa. Se tudo ocorrer como a gente imagina, lá pelo dia 13 ou 14 de abril teríamos condições de trazer o processo de impeachment para ser votado no plenário”, disse o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (SP). Segundo ele, há uma aliança para garantir que o ritmo seja mantido. “Organizamos uma espécie de calendário de presença, hoje foi o primeiro dia e o primeiro teste foi positivo. Temos absoluta convicção de que os deputados não vão faltar com suas obrigações e darão quórum também na próxima quarta, nas sextas e segundas que virão”.
Dani Vieira diz que mudou alimentação, criticou as saradas e ainda disse que deve agradecer à mãe pela silhueta violão (Foto: Reprodução/Instagram)
Dani Vieira diz que mudou alimentação, criticou as saradas e ainda disse que deve agradecer à mãe pela silhueta violão (Foto: Reprodução/Instagram)
Dani Vieira voltou a atiçar seus fãs com uma foto pra lá de provocante. Deitada na cama de lingerie branca – com direito a calcinha fio dental – a loira ainda disse a QUEM que seu estilo de vida saudável reflete nas curvas esculturais.
“Há alguns meses mudei radicalmente meu estilo de vida! Já fui frequentadora assídua de academia, fazia dietas super rigorosas e era refém do meu corpo! Mas hoje em dia acho que as formas mais femininas são mais bonitas e estou na contramão das mulheres musculosas. Acho over!”, disparou ela.
A alimentação, como se sabe, é fator importantíssimo para manter a saúde e curvas em dia. “A base da minha alimentação é de alimentos orgânicos. Não uso nenhuma substância química e busco o equilíbrio”. Quando questionada sobre a silhueta violão de 62cm e o bumbum generosíssimo de 105cm, ela disse que o DNA é seu aliado. “A genética da mamãe ajuda também. E muito! [risos]. A cinturinha fina e popozão vieram de heranca! Espero que ela perdure por longos e bons anos [risos]”, finalizou a loira.
Manifestantes caminham em ruas do Centro de João Pessoa (Foto: Diogo Almeida/G1)
Manifestantes caminham em ruas do Centro de João Pessoa (Foto: Diogo Almeida/G1)
Uma manifestação contra o impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), está marcada para hoje (18), às 14h, em frente ao Lyceu Paraibano, na Capital paraibana. O Partido dos Trabalhadores na Paraíba (PT) espera reunir cerca de 10 mil pessoas, com a participação de estudantes, servidores e a Central Única dos Trabalhadores na Paraíba (CUT-PB).
Para o presidente da CUT-PB, Paulo Marcelo, os manifestantes vão defender a continuidade de Dilma Rousseff na Presidência e protestar contra o que eles chamam de ‘golpe’ a possibilidade de impeachment.
“Nós queremos mostrar que esse país ainda tem uma democracia e nós temos que continuar defendendo. Estamos fazendo um ato pacífico e que defenda, simplesmente, o Brasil, os brasileiros e os trabalhadores”, contou o presidente da CUT-PB.
Cerca de 20 ônibus, além de vans, estarão vindo para João Pessoa trazendo manifestantes do interior do Estado. Ao todo, a expectativa é de que 10 mil pessoas participem do ato.
Após iniciar a manifestação, o ato deve seguir pelo anel externo da Lagoa, Rua Diogo Velho, Avenida Pedro II e ser encerrado com apresentações artísticas no Ponto de Cem Réis, Centro de João Pessoa.
Segundo o presidente estadual do PT, Charliton Machado, além dessa mobilização, os manifestantes devem voltar a se reunir no dia 31 deste mês.
“Vamos seguir nosso roteiro político. No dia 18, sexta-feira, teremos um ato público e no dia 31 de março vamos promover uma grande mobilização nacional, por ocasião do aniversário do golpe, que atualmente está sendo orquestrado de maneira mais sutil que em 1964, passando, inclusive, por segmentos da Justiça”, disse Charliton.
O secretário de Estado norte-americano | REUTERS/NICHOLAS KAMM
O secretário de Estado norte-americano | REUTERS/NICHOLAS KAMM
Os Estados Unidos declararam o grupo extremista Estado Islâmico responsável por genocídio de cristãos yazidis e outras minorias religiosas nos territórios que controla no Iraque e na Síria.
“O Daesh [acrônimo árabe do grupo] é genocida por ideologia e por ação, no que afirma, no que acredita e no que faz”, disse o chefe da diplomacia americana, John Kerry, utilizando um dos nomes que designam o grupo terrorista.
Ele disse que o Daesh é responsável também por crimes contra a humanidade, contra as minorias religiosas, acrescentou.
A afirmação do secretário de Estado confirma uma declaração aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos para declarar como genocídio as execuções de minorias religiosas, perpetrados pelo grupo extremista, uma declaração que tem implicações legais internacionais.
Querendo se recuperar da derrota sofrida para Michael Bisping, o lutador brasileiro Anderson Silva já tem data para retornar ao octógono. O ‘Spider’ terá pela frente o jamaicano Uriah Hall, no UFC 198, que será realizado na Arena da Baixada, em Curitiba. As informações são do site americano Sherdog. Apesar disso, a direção do Ultimate ainda não oficializou o combate.
Paulista de nascimento, Anderson morou em Curitiba por anos. Por conta disso, o brasileiro já chegou a expressar a sua vontade em lutar na cidade.
Ex-campeão da categoria dos médios (84 kg), o Spider tem um cartel com 33 vitórias, sete derrotas e um ‘no contest’. Apesar dos ótimos números, Anderson não vence um combate desde outubro de 2012, quando bateu Stephan Bonnar. Após este duelo, Anderson perdeu para Michael Bisping e duas vezes para Chris Weidman. O brasileiro chegou a derrotar Nick Diaz, no UFC 183, no início de 2015, mas por conta do flagra no exame antidoping de Anderson e de Diaz, o resultado da luta foi revertido para ‘no contest’.
Do outro lado, Hall ficou famoso pelas suas atuações no TUF 17. Na ocasião, o jamaicano mandou seus oponentes direto para o hospital e ganhou o apelido de ‘Homem Ambulância’. Apesar de toda a sua fama no TUF, Hall ainda não conseguiu convencer no UFC, tendo cinco vitórias e quatro derrotas desde a sua estreia. O card do atleta conta com 12 vitórias e seis reveses.
O evento está marcado para o dia 14 de maio e terá como luta principal a disputa pelo cinturão dos pesados entre o brasileiro Fabrício Werdum e o americano Cain Velásquez. O evento ainda contará com o combate entre Ronaldo Jacaré e Vitor Belfort. Demian Maia, Shogun, Minotouro, entre outros brasileiros também já estão confirmados.
Estádio Municipal Gilberto Siqueira Lopes, em Lins
Estádio Municipal Gilberto Siqueira Lopes, em Lins
O Botafogo-PB foi à cidade de Lins, interior de São Paulo, para fazer a estreia da equipe na Copa do Brasil de 2016 contra o Linense, na noite dessa quarta-feira (16), no estádio Gilberto Siqueira Lopes. O time da casa saiu na frente com o experiente Thiago Humberto cobrando um pênalti que foi marcado de forma polêmica, mas o Belo igualou ainda na primeira etapa com Muller, garantindo o resultado de 1 a 1. Um empate por 0 a 0 no jogo de volta ou vitória por qualquer placar garante o time pessoense na próxima fase.
Sem contar com o treinador Itamar Schulle, que não viajou por precauções médicas, o Botafogo-PB começou bem a partida, tinha mais posse de bola e controlava o jogo, mas não conseguia finalizar.
Só que, aos 11 minutos, o árbitro marcou falta em Gabrielzinho, atacante do Linense, na entrada da área. O auxiliar Leandro dos Santos acusou que a infração foi dentro da área e o juiz marcou pênalti de forma polêmica. Sem ter nada a ver com a confusão, Thiago Humberto mandou no canto direito de Michel Alves, que pulou na bola, mas não conseguiu evitar o gol do Linense.
Mesmo atrás no placar, o time pessoense seguia melhor na partida e foi recompensado com o empate. Aos 25 minutos, após jogada coletiva, Ângelo cruzou da direita, Jéfferson Recife ajeitou para Carlinhos, que chutou em gol. O goleiro do Linense rebateu e Muller tocou no canto esquerdo para deixar tudo igual no interior de São Paulo.
Após o intervalo só deu Linense. O time da casa tinha mais posse de bola e pressionava o Botafogo-PB em busca da vitória. Dois dos principais jogadores do time paulista, os atacantes William Pottker e Anderson Aquino, que começaram a partida no banco de reservas, entraram em campo ainda no início da etapa complementar.
Aos 12 minutos, o Elefante teve duas chances de marcar. Primeiro Thiago Humberto cobrou falta na cabeça de Adalberto, que mandou por cima do gol. Na sequência, Leandro Brasília invadiu a área e chutou na saída do arqueiro do Belo, que fez boa defesa e mandou para escanteio. Outro susto da equipe do interior de São Paulo veio aos 29. Anderson Aquino entrou na área pelo lado esquerdo e bateu cruzado. A bola foi na rede, mas pelo lado de fora.
Já no fim do jogo, aos 44, Leandro Brasília apareceu com perigo e chutou colocado da meia-esquerda de pé direito, mas Michel Alves mais uma vez salvou a equipe do Belo de uma derrota.
No jogo da volta em João Pessoa, caso o resultado se repita, a partida vai para os pênaltis. De 2 a 2 em diante, ou qualquer vitória do Linense, a vaga ficará com o time do interior de São Paulo. A segunda partida do confronto será no dia 19 de abril. Com informações do Voz da Torcida.
Local onde o corpo foi encontrado (Foto: Reprodução/ blogclickconexao)
Local onde o corpo foi encontrado (Foto: Reprodução/ blogclickconexao)
Sete pessoas foram detidas suspeitas de envolvimento na morte, esquartejamento e tentativa de ocultação de cadáver do jovem Danilo da Silva Mousinho, de 25 anos, encontrado morto na manhã desta quinta-feira (17), no município de Itabaiana, no Agreste paraibano.
De acordo com Hugo Helder, delegado seccional de Itabaiana, Danilo era investigado pela delegacia da cidade por diversos crimes que estavam acontecendo em Itabaiana.
“Ele tinha várias passagens pela polícia e responde a processos. Danilo estava sendo investigado pela Polícia Civil suspeito de assaltos, tráficos e homicídios na cidade. Ele foi morto na tarde da quarta-feira (16), pendurado no teto de uma casa e esquartejado”, explicou o delegado.
Pelas características do assassinato, o delegado acredita que o esquartejamento foi praticado pelos amigos da vítima e ordenado por um detento do presídios PB1, situado na Capital.
“Ele foi morto a facadas e teve os pedaços do corpo retirados e deixados em um saco, como a cabeça e outros membros. Na noite da quarta os suspeitos pegaram os pedaços do corpo da vítima e espalharam por uma área com cerca de 100 metros, para tentar ocultar o cadáver. Danilo estava praticando os crimes. Após esses delitos, os chefes das quadrilhas que estão presos em João Pessoa ordenaram a morte dele”, confirmou Hugo Helder.
Ainda segundo o delegado, ele considera o crime como um dos mais cruéis praticados na Paraíba nos últimos anos. Com os suspeitos, a polícia apreendeu drogas e armas. Eles foram encaminhados a delegacia, onde prestaram depoimento. As informações são do Portalcorreio.
Crianças são fotografadas perto de palafitas no Recife: falta de saneamento básico pode estar ajudando o vírus da zika a se espalhar em regiões pobres (Foto: Reuters/Ueslei Marcelino)
Gleyse da Silva segura a filha com microcefalia diante de sua casa, em Recife (Foto: Reuters/Ueslei Marcelino)
O mosquito, diz um ditado, é democrático – pica ricos e pobres. Mas o atual surto do vírus da zika no Brasil revelou uma profunda desigualdade quando se trata de quem arca com a maior parte do fardo de viver entre os insetos.
“Você vê nuvens de mosquitos ao redor das pilhas de lixo aqui no meu bairro”, disse Gleyse da Silva, que mora em uma das regiões mais pobres de Recife, que está no epicentro da epidemia de Zika.
Gleyse contraiu o vírus transmitido por mosquito na gravidez e em outubro deu à luz Maria – uma das mais de 700 crianças nascidas no Brasil com microcefalia, uma malformação cerebral, desde que o surto de zika foi detectado no ano passado.
A doença, altamente suspeita de ter relação com o vírus, retarda o crescimento da cabeça e do cérebro, levando a problemas de desenvolvimento.
A vizinhança superpovoada de Ibura, onde Gleyse mora, não fica longe dos arranha-céus à beira-mar de Recife, mas as condições de vida estão a um mundo de distância.
As ruas do bairro, que abrigam 50 mil pessoas, estão repletas de lixo, e só 10% das casas têm esgoto ou água encanada, o que as torna um terreno fértil para a proliferação dos mosquitos.
“Às vezes a cidade vem coletar o lixo, mas a maior parte do tempo ele simplesmente se acumula”, contou a jovem de 27 anos à Reuters.
O Brasil fez avanços significativos no combate à desigualdade na última década, retirando cerca de 40 milhões de pessoas da pobreza. Mas o surto de zika, detectado pela primeira vez nas Américas em 2015, e a pior recessão em décadas expuseram as limitações do despertar brasileiro já em decadência.
Décadas de urbanização rápida e caótica no país de 205 milhões de habitantes deixaram muitas áreas pobres sem saneamento básico, expondo os pobres a um risco maior de contrair zika e outros vírus transmitidos por mosquitos.
Cerca de 35 milhões de brasileiros não têm água encanada, mais de 100 milhões não têm acesso a esgoto e mais de 8 milhões de habitantes de cidades vivem em áreas sem coleta de lixo regular, de acordo com o censo mais recente, de 2010.
Crianças são fotografadas perto de palafitas no Recife: falta de saneamento básico pode estar ajudando o vírus da zika a se espalhar em regiões pobres (Foto: Reuters/Ueslei Marcelino)
No ano passado, aproximadamente 1,6 milhão de casos de dengue foram relatados, a maior cifra desde que os registros começaram, em 1990. O vírus, disseminado pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite o zika, mata centenas de pessoas todos os anos.
“A única coisa que irá interromper o ciclo de epidemias será um aumento significativo no investimento e a construção de infraestrutura que forneça saneamento básico”, disse a doutora Vera Magalhães, professora de medicina tropical da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, onde passou três décadas estudando a dengue, e agora o Zika.
“Até que isso aconteça, viveremos com este contraste no Brasil, onde os ricos têm saneamento de primeiro mundo e os pobres vivem nas condições mais precárias que se pode imaginar, o que faz com que sejam de longe os mais vulneráveis a estas doenças.”
MUNDOS DIFERENTES Cerca de 2 mil quilômetros a sudoeste de Recife, Marcos Lira e sua esposa, Fátima, fazem a caminhada matinal no quebra-mar do bairro carioca da Urca na companhia de Davi Luiz, seu filho de dois meses de idade.
A Urca tem um dos menores índices de ocorrência de dengue do Rio de Janeiro, apesar de estar cercada por uma vegetação luxuriante.
“Ficamos preocupados com o zika, levando em conta todas as notícias e o fato de minha esposa estar grávida durante um susto desses”, disse Marcos Lira. “Mas aqui eles recolhem o lixo três vezes por semana e todos têm água em casa.”
Lira, síndico de um condomínio de luxo onde mora sem pagar aluguel, cresceu em Vila Isabel, bairro pobre do Rio. Lá, a taxa de dengue foi cinco vezes maior do que na Urca no ano passado, segundo estatísticas do governo.
“É a mesma cidade, mas a situação da saúde não podia ser mais diferente”, afirmou. “A Urca é um mundo à parte em relação ao lugar onde fui criado”.
O Brasil não registra a classe social das vítimas do zika, mas o vírus parece estar afetando os pobres de maneira desproporcional. A Reuters entrevistou mais de 40 mulheres que contraíram zika durante a gravidez e tiveram filhos com microcefalia.
As entrevistas, realizadas tanto em hospitais de ponta onde elas procuraram tratamento quanto nas cidades e bairros onde moram, revelaram que todas têm origem humilde.
Josemary da Silva, de 34 anos, dá banho em Gilberto, seu filho de 5 meses que nasceu com microcefalia (Foto: Reuters/Ricardo Moraes)
Mesmo no interior da Paraíba, onde a secura da paisagem é muito menos favorável para os mosquitos do que o clima tropical do Rio, a infraestrutura ruim dá ensejo a seu crescimento.
Josemary da Silva, mãe de um menino de cinco meses nascido com microcefalia, só tem água em sua casa minúscula de um cômodo quando o caminhão-pipa aparece para encher uma cisterna improvisada que ela divide com um vizinho.
“O caminhão fica semanas sem passar”, disse Josemary, de 34 anos, que está desempregada e sobrevive graças a um programa governametal que a concede cerca de 400 reais por mês. “Nesse meio-tempo, temos que comprar água, dez baldes pequenos por vez.”
Em toda a região, os moradores estocam água em qualquer recipiente disponível – muitas vezes sem tampa – criando o habitat ideal para o Aedes aegypti depositar seus ovos.
“Mesmo com uma rede, meu bebê acorda coberto de picadas”, contou a mãe de quatro crianças. “Não há nada que eu possa fazer contra os mosquitos. São muitos”.
IMPERATIVO POLÍTICO O Brasil aumentou o investimento em saneamento nos últimos anos, todo ele virtualmente concentrado na expansão de redes precárias ou inexistentes de água e esgoto em cidades com mais de 500 mil habitantes.
Mas um grupo de ativistas que monitora quase 350 projetos afirma que a burocracia e a incapacidade de finalizar projetos de infraestrutura, um problema notório no país, levou um quarto das obras a serem paralisadas e um quinto delas a serem suspensas.
“O que choca é que somos a sétima ou oitava maior economia do mundo, e apesar da atual crise econômica não falta dinheiro para ser usado nestas melhorias vitais”, disse a professora Vera Magalhães. “Mas obviamente não é um imperativo político fazê-lo”.
Josemary segura seu filho Gilberto, com microcefalia, na cidade de Algodão de Jandaira, Paraíba (Foto: Reuters/Ricardo Moraes)
Ainda se sabe pouco sobre o zika, inclusive se ele de fato causa microcefalia em recém-nascidos. O Brasil confirmou mais de 740 casos de microcefalia que acredita estarem ligados ao zika, e está investigando mais de 4.200 casos suspeitos.
Para complicar a luta, alguns entomologistas brasileiros creem que o Aedes aegypti, que durante muito tempo se acreditou só depositar ovos em água limpa, pode estar se reproduzindo em águas contaminadas por esgoto.
“Se os mosquitos realmente se adaptam ao esgoto, estamos com sérios problemas”, alertou Dante Ragazzi Pauli, chefe da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
“Já estamos em uma situação incrivelmente grave, e nossa única saída é construir saneamento básico. Mas carecemos de investimentos, carecemos de organização. Não prevejo grandes avanços nos próximos 50 a 60 anos”.