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Estudante é ferida no olho e fotógrafos são presos em protesto na Paulista

São Paulo - Manifestantes contra o impeachment na Avenida PaulistaRovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo - Manifestantes contra o impeachment na Avenida PaulistaRovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo – Manifestantes contra o impeachment na Avenida PaulistaRovena Rosa/Agência Brasil

Uma estudante foi atingida no olho e dois fotógrafos foram presos durante a manifestação contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff na noite de ontem (31) na capital paulista.

A aluna da Universidade Federal do ABC Deborah Fabri, que integra o movimento Levante Popular da Juventude, passou por exames na manhã de hoje (1º) em uma clínica particular e informou, via redes sociais, que perdeu a visão do olho esquerdo. Ela foi atendida durante a madrugada no Hospital das Clínicas.

A também militante do Levante Juventude Laryssa Campaio disse que a truculência da polícia na dispersão da manifestação surpreendeu os manifestantes. “Muita gente nossa foi ferida, como nunca tinha acontecido”, disse em referência às cinco pessoas que foram atingidas por balas de borracha ou estilhaços de bombas de gás. “Foi fora do normal, uma espécie de estado de sítio”, acrescentou sobre a repressão sofrida pela passeata.

Em nota divulgada na noite de ontem, a secretaria afirma que a repressão começou depois que um grupo de manifestantes incendiou montes de lixo e lançou pedras contra os policiais. Segundo o comunicado, um policial militar foi ferido e levado para receber atendimento médico. A SSP disse que não tem informações sobre a jovem atingida no olho.

Os manifestantes, que também pediam a saída do presidente Michel Temer, começaram a se concentrar na Avenida Paulista, na altura do Museu de Arte de São Paulo (Masp) no início da noite. A passeata seguiu então pela Rua da Consolação, quando na altura do cruzamento com a Rua Maria Antonia, a Polícia Militar começou a usar bombas de gás para dispersar o protesto. Manifestantes regiram lançando rojões contra a tropa.

Durante a noite, a polícia continuou a reprimir os participantes do ato que se espalharam pelo centro da cidade. Também foram registradas diversas depredações, incluindo uma agência bancária na Rua da Consolação, uma viatura policial e a motocicleta de um cinegrafista.

Fotógrafos

Durante a ação policial, os fotógrafos Willian Oliveira e Vinicius Gomes foram detidos pela polícia. Vinícius Gomes afirma que seu equipamento de trabalho foi destruído durante a abordagem policial. Ambos permaneceram detidos até por volta das 5h de hoje.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo (SSP) ainda não informou à Agência Brasil o motivo das prisões ou se pronunciu sobre os dados ao equipamento de Vinicius.

TJPB abre inscrição para seleção de estagiários em diversas áreas

Estão abertas, desde a última segunda-feira (29), as inscrições para a seleção de estagiários (diversas áreas) do Tribunal de Justiça da Paraíba. As inscrições podem ser feitas pela internet até às 17h do dia 9 de setembro de 2016, através do portal do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) – empresa responsável pela realização do processo seletivo –, no endereço eletrônico www.ciee.org.br. A seleção é para cadastro de reservas e o edital pode ser acessado no site do CIEE.

As vagas são destinadas para estudantes das áreas de Administração, Arquitetura, Arquivologia, Biblioteconomia, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, Direito, Educação Física, Engenharia Civil, Estatística, Fisioterapia, Informática (nível superior), Informática (Nível Técnico Profissionalizante), Pedagogia, Psicologia, Serviço Social, Tecnologia em Gestão Púbica e Turismo, sendo que 10% das vagas serão destinadas a pessoas com deficiência.

O estágio destina-se, exclusivamente, a estudantes com idade acima de 16 anos, matriculados e com frequência em dia em instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC). Os classificados às vagas deverão, quando do ato de chamamento, estar matriculados no 5º período em diante ou equivalente, para os cursos com graduação em 10 (dez) períodos ou 05 (cinco) anos e no 3º período em diante ou equivalente, para os cursos com graduação em 08 (oito) períodos ou 04 (quatro) anos.

Os estudantes selecionados atuarão em diversas cidades do estado da Paraíba e, para tanto, receberão uma bolsa-auxílio no valor de R$ 501,61, além de R$ 41,80 de auxílio-transporte, para uma jornada de 4 horas diárias de estágio, no horário de funcionamento do Poder Judiciário.

Por Gecom – TJPB

Alunos de Mamanguape têm aula prática sobre insumos biológicos na Estação de Camaratuba

Alunos de Mamanguape têm aula prática sobre insumos biológicos na Estação de Camaratuba
Alunos de Mamanguape têm aula prática sobre insumos biológicos na Estação de Camaratuba
Alunos de Mamanguape têm aula prática sobre
insumos biológicos na Estação de Camaratuba

Cerca de 60 alunos do curso técnico de agronegócio da escola técnica João da Mata Cavalcanti de Albuquerque – unidade de Mamanguape viveram uma experiência diferente, com uma aula prática na Estação Experimental de Camaratuba. Na ocasião, eles visitaram os laboratórios de produção de cotesia flavipes e do fungo metarhizium anisopliae e conheceram a produção dos insumos biológicos. As visitas aconteceram em dois momentos, com duas turmas de 30 alunos cada, no mês de agosto. A EstaçãoExperimental de Camaratuba é mantida pela Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan).

Os estudantes foram acompanhados pelo supervisor administrativo dos laboratórios, Roberto Balbino e puderam conhecer a produção, levantamento e liberação dos insumos biológicos produzidos nos laboratórios da Estação. “Essas visitas de estudantes, de vários instituições e cursos ligados ao agronegócio, são comuns na Estação  e são enriquecedoras para o currículo, já que lá, eles têm a oportunidade de ver a teoria e a prática da produção de insumos biológicos num mesmo ambiente”, explica o Engenheiro Agrônomo e coordenador do Departamento Técnico (DETEC) da Asplan e da Estação, Vamberto Rocha que, na ocasião, falou também sobre a importância da cana-de-açúcar para a Paraíba e o compromisso da Asplan com o meio ambiente.

Os laboratórios da Estação produzem em larga escala a Cotesia flavipes (Vespas) e o Metarhizium anisopliae (Fungos), e é uma referência no Nordeste na produção destes controladores biológicos  de pragas dos canaviais, tais como a broca-comum (Diatraea spp.) e a cigarrinha da Folha (Mahanarva posticata). A produção da Estação é distribuída gratuitamente para os associados da Asplan e também é vendida a preços acessíveis. A escola ou instituição que quiser agendar uma visita à Estação, basta enviar um oficio para a presidência da Asplan ou para o DETEC da entidade. Maiores informações pelo fone 3241-6424.

Com assessoria

Produtores rurais prejudicados por falta de apoio do Poder Público em Rio Tinto

Levadas estão obstruídas prejudicando plantações de agricultores
Levadas estão obstruídas prejudicando plantações de agricultores
Levadas estão obstruídas prejudicando plantações de agricultores

Cerca de 80 agricultores das comunidades de Taberaba, Boa Vista, Areia Branca e Rio do Banco em Rio Tinto, assinaram um “baixo assinado” solicitando da Prefeitura do município uma máquina retroescavadeira para realizar trabalho de limpeza nos canais de água que corta a região.

Segundo o baixo assinado, o canal que liga o açude de Pindobal a comporta de Taberaba está obstruído, e com aumento do nível da água os agricultores estão sendo prejudicados com inundações sobre as lavouras e plantios de cana de açúcar.

Na semana passada, um requerimento de autoria do vereador Josenir Gonçalves (Dr. Ninho), foi aprovado na Câmara de Vereadores solicitando providências ao Poder Público.

– “Devido aos pequenos agricultores estão sendo prejudicados em suas lavouras e no plantio de cana de açúcar, em face do alagamento da água e o difícil acesso as mesmas por falta da limpeza da referida levada, e em decorrência do problema está causando transtornos aos pequenos agricultores que estão tendo prejuízos e os mesmos dependem da agricultura para o meio de sobrevivência familiar”, consta no documento (requerimento).

Clique nas imagens abaixo para ampliar:

Enquanto a presença das máquinas do PAC da Prefeitura de Rio Tinto não chega para atender este importante seguimento, os próprios produtores da região fazem a chamada “vaquinha” para os custeios próprios e realizam um paliativo nos canais com o trabalho braçal.

Da redação

 

Voz marcante do rádio, Bernardo Filho morre vítima de infarto em João Pessoa

O radialista morava no Bairro do Castelo Branco, em JP
O radialista morava no Bairro do Castelo Branco, em JP
O radialista morava no Bairro do Castelo Branco, em JP

O radialista Bernardo Filho, 69 anos,  faleceu na tarde desta quarta-feira (31) vítima de infarto em sua residência, no bairro do Castelo Branco, em João Pessoa.

A informação foi confirmada pelo filho do comunicador, o jornalista Fábio Bernardo em sua conta no Facebook.

“Pessoal! Infelizmente informo q meu pai, meu herói, meu guia acaba de falecer. Bernardo Filho foi morar com os anjos”, postou Bernardo.

De voz forte e marcante, Bernardo Filho passou por várias emissoras de Rádio de João Pessoa com forte para transmissão esportiva, mas uma atração que teve a sua marca foi ‘A Hora da Bronca’, que foi veiculado  em algumas emissoras da Capital como Correio e Sanhauá.

Atualmente vinha apresentado programa  na Rádio Sanhauá, em João Pessoa. O velório ocorrerá no cemitério Parque das Acácias, a partir das 18h.

Roberto Targino – MaisPB

TCE emite pareceres favoráveis à aprovação das contas de sete prefeitos

O Tribunal de Contas da Paraíba, reunido nesta quarta-feira (31), emitiu pareceres favoráveis à aprovação das contas anuais apresentadas por sete prefeitos paraibanos.

Foram eles os de Santa Cruz (Raimundo Antunes Batista), Assunção (Rafael Anderson de Farias Oliveira), Cuité (Euda Fabiana de Farias Palmeira Venâncio), Borborema (Maria Pala Gomes Pereira), Condado (Caio Rodrigues Bezerra Paixão) e Remígio (Melchior Naelson Batista da Silva), referentes ao exercício de 2014.

Houve aprovação, ainda, às contas de 2013 do prefeito de Belém, Edgar Gama, em grau de recurso. As Municipais de Caldas Brandão, Jericó e Imaculada obtiveram a aprovação das contas de 2014, com ressalvas nos dois primeiros casos.

As de 2013, encaminhadas pela prefeita do município de Joca Claudino (Lucrécia Adriana de Andrade Barbosa) foram reprovadas em vista de problemas que incluíram o não recolhimento de contribuições previdenciárias e aplicações em MDE e Fundeb abaixo dos limes mínimos constitucionais. Mas ela ainda pode recorrer dessa decisão tomada conforme proposta do relator Renato Sérgio Santiago Melo.

Gastos previdenciários não documentalmente comprovados ocasionaram, ainda, a reprovação das contas de 2014 do presidente da Câmara Municipal de Araruna, Francisco Edinaldo Pinto Martins, a quem foi imputado débito superior a R$ 71 mil, conforme voto do relator Nominando Diniz, contra o qual também cabe recurso.

Conduzida pelo presidente em exercício André Carlo Torres Pontes (em razão de viagem institucional do titular Arthur Cunha Lima), a sessão plenária teve as participações dos conselheiros Arnóbio Viana, Fábio Nogueira, Fernando Catão, Nominando Diniz e Marcos Costa. Também, dos conselheiros substitutos Antonio Gomes Vieira Filho, Antonio Cláudio Silva Santos, Oscar Mamede e Renato Sérgio Santiago Melo. O Ministério Público de Contas esteve representado pela procuradora geral Sheyla Barreto Braga de Queiroz.

Ascom/TCE-PB

Senadores decidem que Dilma pode exercer função pública

Depois de aprovar a perda do mandato de Dilma Rousseff, o Senado também manteve, por 42 votos a 36, os direitos políticos de Dilma. Com isso, ela pode ocupar cargo público. Foram registradas três abstenções. A votação deste quesito foi feita separadamente a pedido de senadores do PT, que apresentaram o requerimento logo no início do dia e que foi acatado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, mesmo sob protestos de aliados do presidente interino Michel Temer.

Encaminhamentos

A senadora peemedebista Kátia Abreu  (TO) foi a primeira a argumentar contra a perda dos direitos políticos de Dilma Rousseff. Para fundamentar a argumentação, ela leu trecho escrito pelo presidente interino Michel Temer dizendo que as penas “são autônomas e independentes” e não “acessórias”.

“É uma pessoa que com certeza pode ser convidada para dar aulas em universidades”, disse. “A presidente Dilma precisa continuar trabalhando para poder suprir suas necessidades. Não vote pelas palavras de uma pessoa, mas pela sua consciência e por aquilo que acreditam na personalidade da presidente Dilma”, disse.

Na defesa pela perda dos direitos, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou que o Senado não protagonizou uma farsa, como declararam aliados de Dilma. “É um procedimento legítimo, que legitima a decisão que tomamos agora. Aqui não houve golpe”, assegurou. Nunes ainda criticou a comparação feita pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), minutos antes, do atual julgamento com a sessão que declarou a vacância do cargo até então ocupado por João Goulart. “É uma burla a história deste país. Não tem nada a ver. Primeiro porque não houve deliberação do Congresso naquela ocasião. Em segundo porque o Congresso estava sitiado. As únicas desordens hoje em dia são promovidas pelas informações factoides que vive o PT. Pessoas que incendeiam pneus, pessoas que tiveram audácia de dizer que pegaria em armas se o impeachment fosse aprovado”, disse .

Nunes disse que a Constituição deixa claro que a perda do mandato no caso de crime de responsabilidade está associada à perda dos direitos políticos e afirmou que é possível ocupar função pública sem ocupar cargo público. “Além de invocar a letra da Constituição, quero invocar o artigo que trata da perda do mandato com a inabilitação”, pediu.

Sereno, o senador Capiberibe fez um apelo “em nome da conciliação” e do reencontro. “O sectarismo só nos divide mais”, afirmou ao destacar que a política tem que ser uma “atividade conciliadora”. “Não tivemos a capacidade de construir uma alternativa mais consensual. Fomos para o confronto. Mas não podemos esquecer o amanhã. Não basta derrotar? Tem que esmagar?”, disse.

Num tom dramático, Jorge Viana (PT-AC) fez uma analogia com a morte de Tiradentes e afirmou que a votação em duas fases está prevista na Lei do Impeachment (1.079). “Não estamos em Ouro Preto enforcando ninguém e para ter certeza, esquartejando”, disse. Viana disse que Dilma não poderá sequer dar aula em universidades se perder os direitos políticos. “Excessos todos cometemos aqui, mas todos nós, ainda mais num processo delicado como este, vamos ter que seguir convivendo com os outros”, disse.

O líder tucano Cássio Cunha Lima (PB) afirmou que “por trás” da possível manutenção dos direitos políticos há “mais um acordo entre Dilma e [o ex-presidente da Câmara Eduardo] Cunha porque o resultado dessa cassação terá repercussão na votação de Cunha [que vai definir o futuro de seu mandato em sessão agendada para o próximo dia 12]. O que estaremos fazendo é permitir que a presidente Dilma perca seu cargo e amanhã inicie uma campanha Brasil afora”, disse.

Cunha Lima antecedeu o presidente de seu partido, Aécio Neves (MG), que emocionado declarou: “Venceu a democracia, venceu a Constituição, venceu o Brasil”, comemorando o resultado. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu a palavra e antecipou o voto contrário à inabilitação da petista.

Carolina Gonçalves e Karine Mello – Repórteres da Agência Brasil

Michel Temer toma posse como presidente e terá mandato até 2018

Michel Temer toma posse como presidente da República em solenidade no Congresso NacionalFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Michel Temer toma posse como presidente da República em solenidade no Congresso NacionalFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Michel Temer toma posse como presidente da República em solenidade no Congresso NacionalFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O plenário do Congresso Nacional acaba de dar posse a Michel Temer como presidente da República. Ele já estava no cargo interinamente desde o afastamento de Dilma Rousseff por consequência da abertura do processo de impeachment dela, em maio deste ano. A posse foi dada pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Leia também: Com impeachment, Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vida

A cerimônia ocorreu no plenário do Senado, que estava lotado de senadores, deputados, ex-parlamentares e convidados. Temer leu juramento em que se compromete a defender e respeitar a Constituição. Em seguida, foi lido o termo posse. 

A posse foi marcada logo após o plenário do Senado decidir pelo impedimento da presidenta e Temer ser notificado de que assumiria definitivamente a Presidência da República até 31 de dezembro de 2018, quando termina o mandato.

Michel Temer é jurista especializado em direito constitucional e atuou como parlamentar por cerca de 25 anos, entre mandatos assumidos como eleito e suplente. Foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes e foi eleito como vice-presidente junto com Dilma Rousseff em 2010 e depois reeleito em 2014.

Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil

Com impeachment, Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vida

Dilma faz pronunciamento após Senado aprovar seu afastamento definitivo da Presidência da RepúblicaJosé Cruz/Agência Brasil
Dilma faz pronunciamento após Senado aprovar seu afastamento definitivo da Presidência da RepúblicaJosé Cruz/Agência Brasil
Dilma faz pronunciamento após Senado aprovar seu afastamento definitivo da Presidência da RepúblicaJosé Cruz/Agência Brasil

Em pronunciamento no Palácio da Alvorada, a ex-presidenta Dilma Rousseff disse hoje (31) ter sofrido o segundo golpe de Estado em sua vida. “O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo”.

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Dilma classificou de “inequívoca eleição direta” a aprovação do impeachment por 61 senadores e garantiu que vai recorrer em todas as instâncias possíveis contra o que chamou de “fraude”. Ao final, ela disse ainda que, neste momento, não dirá adeus ao povo brasileiro, mas “até daqui a pouco”.

Confira na íntegra o pronunciamento da ex-presidenta:

“Ao cumprimentar o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimento todos as senadoras e senadores, deputadas e deputados, presidentes de partido, as lideranças dos movimentos sociais. Mulheres e homens de meu País.

Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma Presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.

Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado.

É o segundo golpe de Estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.

É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos. É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.

Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.

O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social.

Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional para este impeachment.

Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.

O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.

O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.

Peço às brasileiras e aos brasileiros que me ouçam. Falo aos mais de 54 milhões que votaram em mim em 2014. Falo aos 110 milhões que avalizaram a eleição direta como forma de escolha dos presidentes.

Falo principalmente aos brasileiros que, durante meu governo, superaram a miséria, realizaram o sonho da casa própria, começaram a receber atendimento médico, entraram na universidade e deixaram de ser invisíveis aos olhos da Nação, passando a ter direitos que sempre lhes foram negados.

A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta.

Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.

Quando o Presidente Lula foi eleito pela primeira vez, em 2003, chegamos ao governo cantando juntos que ninguém devia ter medo de ser feliz. Por mais de 13 anos, realizamos com sucesso um projeto que promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso País.
Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano.

Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos, todos juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia.

Saio da Presidência como entrei: sem ter incorrido em qualquer ato ilícito; sem ter traído qualquer de meus compromissos; com dignidade e carregando no peito o mesmo amor e admiração pelas brasileiras e brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando pelo Brasil.

Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi na luta contra a miséria e a fome, combati a desigualdade.

Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles.

Às mulheres brasileiras, que me cobriram de flores e de carinho, peço que acreditem que vocês podem. As futuras gerações de brasileiras saberão que, na primeira vez que uma mulher assumiu a Presidência do Brasil, a machismo e a misoginia mostraram suas feias faces. Abrimos um caminho de mão única em direção à igualdade de gênero. Nada nos fará recuar.

Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer “até daqui a pouco”.

Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakovski:
‘Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.’

Um carinhoso abraço a todo povo brasileiro, que compartilha comigo a crença na democracia e o sonho da justiça.”

Agência Brasil

Contas públicas ficam negativas em R$ 12,8 bi em julho, pior resultado no mês

O setor público consolidado, formado por União, estados e municípios, registrou déficit primário, receitas menos despesas, sem considerar os gastos com juros, de R$ 12,816 bilhões, em julho, informou nesta semana o Banco Central (BC). Esse foi o pior resultado para o mês na série histórica, iniciada em dezembro de 2001. O resultado do mês superou o déficit primário de R$ 10,019 bilhões registrados em julho de 2015.

Nos sete meses do ano, o resultado negativo chegou a R$ 35,592 bilhões, contra superávit de R$ 6,205 bilhões, em igual período de 2015.

Em 12 meses encerrados em julho, o déficit primário ficou em R$ 154,046 bilhões, o que corresponde a 2,54% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

Em julho deste ano, o Governo Central (Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional) registrou déficit primário de R$ 11,853 bilhões. Os governos estaduais também apresentaram resultado negativo, com déficit primário de R$ 283 milhões, e os municipais, de R$ 51 milhões. As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras, registraram déficit primário de R$ 629 milhões, no mês passado.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, os resultados negativos são explicados pela retração da economia, o que leva à queda na arrecadação de tributos. Maciel destacou que, nesse cenário, há um descompasso entre receitas e despesas. De janeiro a julho, enquanto as despesas cresceram 3%, as receitas caíram 5,2%, na comparação com igual período de 2015. “Esse descompasso na evolução desses dois fluxos vem ocorrendo há algum tempo”, disse.

A meta fiscal que prevê um déficit primário de até R$ 163,9 bilhões nas contas públicas, este ano. Para chegar a esse resultado do setor público consolidado, a expectativa é que o governo apresente déficit primário de R$ 170,496 bilhões e estados e municípios, um superávit de R$ 6,554 bilhões.

Em julho, os gastos com de juros nominais ficaram em R$ 40,587 bilhões, contra R$ 62,753 bilhões em igual mês de 2015. De janeiro a julho, os gastos chegaram a R$ 213,899 bilhões. Em 12 meses encerrados em julho, as despesas com juros ficaram em R$ 427,062 bilhões, o que corresponde a 7,04% do PIB.

O déficit nominal, formado pelo resultado primário e os resultados de juros, ficou em R$ 53,403 bilhões, no mês passado, ante R$ 72,772 bilhões registrados em julho de 2015. Nos sete meses do ano, o resultado negativo ficou em R$ 250,491 bilhões, contra R$ 282,418 bilhões em igual período de 2015. Em 12 meses encerrados em julho, o déficit nominal ficou em R$ 581,108 bilhões, o que corresponde a 9,58% do PIB.

A dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 2,571 trilhões, em julho, o que corresponde a 42,4% do PIB, alta de 0,4 pontos percentuais em relação a junho. A dívida bruta (contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 4,214 trilhões ou 69,5% do PIB, com elevação de 1 ponto percentual em relação a junho.

Agência Brasil

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