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sexta-feira, 13 março 2026
                          

Vitória de Netanyahu ofusca perspectiva de acordo de paz

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Redação PB Vale
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ReutersCopyright British Broadcasting Corporation 2015.
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O mundo exterior tende a observar a política israelense por meio do prisma do processo de paz com os palestinos.

Mas no curso da longa campanha para comandar o país pelos próximos anos o assunto não parecia ter catalisado as devidas atenções.

Os candidatos ao cargo de primeiro-ministro pareciam estar muito mais preocupados com a opinião dos eleitores sobre o alto custo de vida do país do que com as perspectivas de um eventual acordo de paz com os vizinhos palestinos.

Os gastos estratosféricos para comprar ou alugar uma casa são hoje a principal angústia nacional, principalmente para os mais jovens.

E sobre a questão palestina, as diferenças entre a direita e a esquerda não são tão grandes assim.

É sabido que a direita israelense, liderada pelo atual premiê Binyamin Netanyahu, é, na melhor das hipóteses, cética quanto à perspectiva de um acordo de paz com os palestinos, enquanto a esquerda, sob o comando de Yitzhak Herzog, da União Sionista, é muito mais propensa ao tipo de engajamento construtivo que contentaria a Casa Branca e o Departamento de Estado americano.

Por semanas a fio, os candidatos pareceram dispostos a permitir que os eleitores chegassem a suas próprias conclusões com base nesses pressupostos.

Mas os responsáveis pela campanha de Netanyahu parecem ter se abalado pelas pesquisas de opinião que o mostravam perdendo força na medida em que a eleição se aproximava.

Foi nesse contexto que o premiê decidiu tirar a “carta palestina” da manga.

Ele enfatizou que no Oriente Médio de hoje, com uma crescente onda de radicalismo islâmico e sua profunda atmosfera de instabilidade, as condições para a criação de um Estado Palestino não existem.

Foi uma jogada perspicaz ao invocar a imagem de um líder que está preparado para defender os interesses de Israel em um cenário de incertezas e que não se preocupa se essa posição, unilateral, irrita os europeus, os americanos ou quem quer que seja.

Em determinado momento, Netanyahu foi questionado se um novo mandato à frente de Israel significaria categoricamente que o Estado Palestino não seria criado.

Ele respondeu com uma única palavra em hebraico: “Achen”, ou “certamente”.

Já para os palestinos, o triunfo eleitoral de Netanyahu deixa pouca margem de manobra.

A Autoridade Palestina já gastou toda a mais forte munição diplomática que podia contra Israel.

No início deste ano, abriu inquérito sobre crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional (TPI), na esperança de internacionalizar o confronto com Israel e transformá-lo em uma espécie de “guerra legal”.

O problema é que essa estratégia deixa os palestinos sem alternativa sobre qual atitude tomar em resposta à decisão de Netanyahu de efetivamente bloquear a criação de um Estado palestino.

A Autoridade Palestina pode ficar frustrada e consternada com o resultado, mas no curto prazo, pelo menos, é difícil prever o que eles podem fazer sobre isso, além de continuar apostando na estratégia de se unir a agências internacionais e usar a participação para defender suas reivindicações.

Netanyahu é um operador político perspicaz, e se ele cumprir todo o seu novo mandato, superará David Ben-Gurion como o mais longevo líder na história de Israel.

Assim, pode-se argumentar que ele descarta a criação de um Estado palestino nas circunstâncias que prevalecem no Oriente Médio no momento, mas que, de alguma forma, deixou em aberto a possibilidade de que mude de ideia se essas circunstâncias se alterarem profundamente.

Há vários diplomatas dos Estados Unidos e de outros lugares do mundo que acumularam experiência extraordinária no processo de paz durante os longos e infrutíferos anos de tentar fazê-lo funcionar.

Entre eles, há aqueles que vão buscar extrair qualquer lampejo de otimismo do uso da palavra ‘Achen’ por Netanyahu.

Mas seus correligionários no Likud vão defender uma interpretação muito mais simples ─ a de que, no auge de uma campanha difícil, Netanyahu voltou às origens e reuniu a direita israelense, articulando sua falta de entusiasmo pela solução de dois Estados.

Quando o premiê israelense argumenta que não é o momento propício, considerando as atuais circunstâncias mundiais, para sonhar com a implementação de uma Palestina livre, seus correligionários provavelmente esperam que ele deixe o assunto fora de sua agenda.

Os diplomatas envolvidos no assunto não vão desistir, é claro, mas o tom da campanha israelense e a maneira pela qual Netanyahu selou sua vitória revelam que as perspectivas não poderiam ser mais sombrias.

Do PBVale com BBC Brasil 

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