Lionel Messi é eleito o melhor jogador do mundo em cerimônia da Fifa

Na última segunda-feira (23) a FIFA anunciou os ganhadores do prêmio “The Best”, O Melhor, traduzindo para o português. Na edição desse ano tivemos algumas novidades, como a escolha, pela primeira vez da seleção do futebol feminino, merecidíssimo diga-se de passagem. Outra grata surpresa do prêmio foi uma premiação dedicada as histórias envolvendo torcedores, fãs do futebol, três histórias estavam concorrendo, onde duas delas eram belíssimas. Além dos tradicionais prêmios para o gol mais bonito da temporada (Prêmio Puskas), a melhor goleira, a melhor jogadora, ao melhor treinador, ao melhor goleiro, a seleção do futebol masculino e ao grande prêmio da noite, o de melhor jogador.

Mas vocês não acham que o prêmio deveria ser chamado de The Best of Europe?

Comecemos pelas novidades, a escolha da seleção das melhores jogadoras da temporada, como falei antes, merecidíssimo, é uma verdadeira conquista do futebol feminino, que na edição da copa deste ano bateu recordes de audiência no mundo todo, principalmente no Brasil, que motivou a CBF a contratar uma treinadora de reconhecimento mundial, a sueca Pia Sundhage, como forma de tentar alçar o futebol feminino brasileiro a outro patamar.

Durante toda a copa, vimos relatos de luta por reconhecimento por parte das jogadoras, equiparação salarial e outras reivindicações, uma das grandes porta-vozes dessa luta, a atacante estadunidense Megan Repinoe, chegou a trocar farpas com o Presidente Donald Trump e, em forma de protesto, não cantava o hino de seu país antes das partidas de futebol naquele mundial.

A seleção das craques femininas, foi dominada principalmente pelas jogadoras estadunidenses, francesas, inglesas, mas contou com a seis vezes melhor do mundo e maior artilheira em todos os mundiais, masculinos e femininos, a brasileira Marta.

No cenário mundial o crescimento e o sucesso do futebol feminino demonstrou que é um caminho sem volta, resta saber se no Brasil, as medidas adotadas pela CBF este ano vão continuar ou, simplesmente, como em outras épocas, após a adrenalina baixar e a comoção diminuir, se não voltará ao patamar do atraso e da falta de investimento novamente.

Na premiação dedicada aos torcedores e fãs do futebol, estavam concorrendo a invasão holandesa na final da Copa do Mundo Feminina de Futebol, na França, a outra história, uma belíssima história de um pai uruguaio chamado Justo, que torcia para o Cerro do Uruguai, clube rival do Rampla, também do Uruguai, que era o time de seu filho Nico, que após a morte trágica de seu filho, passou a frequentar o estádio do clube rival ao que torcia simplesmente para dizer que o filho sempre estará presente ali, torcendo pelo Rampla, uma história emocionante do amor de um pai para com o filho. Não menos importante e nem menos emocionante é a outra história de uma mãe, Silvia, que leva seu filho, Nicollas, que é cego e autista para o estádio acompanhar os jogos do Palmeiras e lá, durante as partidas é ela quem narra tudo o que está se passando para ele, levando a emoção do jogo. Essa reportagem foi feita por um repórter do Grupo Globo, Marco Aurélio Souza. Silvia e Nicollas foram os vencedores desse prêmio e, mais emocionante que a história dessa mãe com o filho foi o seu discurso, que homenageia a história do pai Justo Sánchez, que agradece a sensibilidade do jornalista que fez a reportagem, digno de muita emoção.

No restante do prêmio tivemos um pouco mais do mesmo de toda temporada, a premiação daqueles que jogam na Europa, porque da forma como é estruturado o prêmio, apenas privilegia o que se é feito lá, esquecendo o restante do mundo. Não incluo o futebol feminino neste quesito, apesar de achar que a goleira chilena deveria ter ganho como melhor goleira, mas o prêmio de melhor jogadora deste ano ficou em boas mãos, nas mãos de Megan Repinoe. Eu me refiro ao masculino, apenas o prêmio Puskas que dar alguma chance a alguém que jogue em um clube não tão badalado da Europa, Wendel Lira ganhou o prêmio em 2015, quando jogava pelo Vila Nova de Goiás, hoje ele é atleta e-sports, categoria de esportes eletrônicos. Neymar Jr. Já ganhou também o Puskas, em 2011, quando ainda jogava pelo Santos. Tirando isso você tem que estar atuando na Europa para ser premiado no The Best.

No quesito treinador, o grande vencedor esse ano foi o treinador alemão Jurgen Klopp, treinador do Liverpol e vencedor da última Champions. Não critico a escolha do Klopp, o que critico é porque, por exemplo um treinador como Marcelo Gallardo do River Plate não entra na disputa, o trabalho desse cara é inegável, pegou o clube de Buenos Aires na 2ª Divisão do Campeonato Argentino, subiu para 1ª divisão, ganhou na temporada seguinte a Sul-Americana, no ano seguinte ganhou a Libertadores, no outro ano, foi até a Semifinal, perdendo de forma incrível para o Lanús e, no ano passado voltou a ganhar a Libertadores, naquela final histórica contra o Boca Juniors, o trabalho dele deve ser analisado e pensado.

Como melhor goleiro foi escolhido Alisson, acho merecido também, mas goleiros como o Andrada do Boca, Armani do River, Santos do Atlhético, Weverton do Palmeiras, Marcelo Grohe quando estava no Grêmio, Marcos e Rogério Ceni nunca foram lembrados. Essa é minha crítica e a imprensa brasileira embarca nessa europeização do futebol mundial. Jornalistas do mundo todo votaram, o treinador da nossa seleção votou, bem como os capitães das seleções também votaram e tenho certeza que a imprensa brasileira, o treinador da nossa seleção e o capitão escolheram pelas opções europeias.

No prêmio de melhor jogador, acho que ficou em boas mãos, nas mãos de Messi, mesmo tendo ganho apenas o campeonato espanhol, perdeu a final da copa do rei, foi eliminado pelo Liverpol na Champions e eliminado com a Argentina pelo Brasil, mas fez 51 gols em 50 partidas, para um atleta já com 32 anos, manter esse alto rendimento é de elogiar mesmo.

Então ao invés de chamar de Prêmio FIFA The Best, deveríamos chamar de FIFA The Best of Europe. Mas sei que é muito mais deslumbrante assistir e acompanhar os jogos da Premier League, da Champions, da La Liga. Acompanhar essas estrelas mundiais fazendo até chover em seus jogos, mas aqui também há muita coisa boa a se observar e acompanhar, se não dermos uma chance, no futuro nossos filhos e netos estarão torcendo por clubes europeus e o nosso futebol se acabando aos poucos.

Por Thales Carneiro