
O desdobramento mais recente das investigações de corrupção na entidade que comanda o futebol mundial acabou reforçando a candidatura do brasileiro Zico à presidência da Fifa.
Um dia depois da suspensão dos dois maiores dirigentes do futebol, o impasse: o afastamento de Michel Platini e Joseph Blatter trava a escolha do novo presidente da Fifa.
O presidente da Federação Europeia é acusado de ter recebido de Blatter um pagamento ilegal equivalente a oito milhões de euros. A suspeita fez o Comitê de Ética afastar do futebol por 90 dias os dois pesos-pesados.
Platini era o nome mais forte nas eleições marcadas para fevereiro. A conclusão do processo contra Platini será no próximo dia 26 – justamente a data limite para a formalização das candidaturas à sucessão de Blatter.
A suspeita contra Platini mexeu com as 54 associações europeias de futebol. A alemã foi a mais direta: declarou que a suspensão tem um peso enorme nas ambições do francês à liderança da Fifa. E aconselhou Platini a repensar a candidatura.
Pela primeira vez desde o começo do reinado de Blatter, que dura 17 anos, existe a possibilidade de mudança na cúpula do Futebol. Além de Platini, só três nomes concorrem à presidência da Fifa: o brasileiro Zico e dois antigos vice-presidentes, o príncipe da Jordânia Ali bin Al Hussein e o sul-coreano Chung Mong-Joon.
Sob o sul-coreano também caem suspeitas de corrupção. A crise na cúpula do futebol abre espaço para Zico.
“O que está em jogo é a transformação de uma nova forma de gestão na Fifa. Eu nunca pensei em ser candidato à Fifa, mas diante de todos esses escândalos, eu coloquei meu nome lá. E o que eu quero é um grande debate do mundo do futebol sob essa nova forma de gestão, nova forma de administração. O mundo do futebol precisa estar junto, dar as mãos pra poder termos uma nova Fifa”, afirmou Zico.
Zico ainda precisa assegurar o apoio de no mínimo de cinco países filiados à Fifa. A candidatura de brasileiro ganha ainda mais fôlego com o comunicado do Comitê Olímpico Internacional. O COI questiona a regra de apoio mínimo: pede espaço “para um candidato presidencial externo com crédito e de grande integridade”.
O comitê executivo da UEFA faz reunião de emergência na próxima semana. A Fifa também, pra daqui a 11 dias. Discutem o adiamento de uma eleição com dois favoritos: na prática, com a candidatura de Platini em risco, o príncipe da Jordânia seria o principal rival de uma das realezas do nosso futebol.
Joseph Blatter entrou com recurso que contesta a suspensão de 90 dias e Michel Platini anunciou que também vai recorrer da decisão.
Da redação, com JN


