
O lendário Quintino Cunha, advogado, escritor e poeta, considerado “o pai do humor cearense”, é o maior humorista brasileiro de todos os tempos.
Contam que certa vez, no dia do seu aniversário, um querido amigo e compadre, que gozava de sua irrestrita intimidade, mandou entregar-lhe uma caixa, embrulhada em vistoso papel de presente, no seu interior contendo um caprichado par de chifres.
Sem receber de volta um telefonema sequer comentando o ocorrido, o compadre ficou completamente envergonhado, admitindo que o Dr. Quintino teria se chateado com aquela brincadeira de mau gosto.
O tempo passou, passou, até que chegou o dia do aniversário do compadre. Foi aí que o astuto Dr. Quintino, em retribuição, remetera-lhe um lindo ramalhete, cuidadosamente ornamentado com flores colhidas do seu próprio jardim.
Ao receber em sua casa o presente, o homem ficou completamente desorientado, decepcionado, sem graça, pois, logo lhe ocorreu que aquela atitude do Dr. Quintino seria uma represália, uma resposta indireta ao pretérito comportamento deselegante de sua parte.
Sentindo-se ameaçado a perder, definitivamente, tão ilustre amizade, resolveu ir tratar pessoalmente do assunto e acabar de vez com aquela agonia que o estava atormentando. Dirigindo-se à casa do compadre, ao se defrontar com ele foi logo se ajoelhando a seus pés, e pedindo perdão pelo que havia feito.
– Mas, o que foi que aconteceu, meu compadre? Perguntou o tranquilo Quintino, que ouviu a seguinte resposta: “É que no seu aniversário, eu lhe presenteei com um par de chifres, e hoje, no meu aniversário, demonstrando não ter gostado da brincadeira, você me mandou aquelas lindas flores”.
Aí Quintino: – “Ah, meu compadre, cada um dar o que tem. Quem tem chifre dar chifre e quem tem flores dar flores”.
Por Sebastião Gerbase (Basinho)


