A história se repete!
A cidade fica literalmente vazia nos dias de carnaval. É como se estivesse fechada para balanço. Vai todo mundo embora, feito pássaros de arribação. A maioria vai para as praias da periferia, Baía da Traição principalmente, mesmo sabendo-se que lá não tem estrutura suficiente para comportar a presença de todos, de uma só vez. Aí começa a falta d’água, falta de energia elétrica, falta de alimentos, enfim, falta o mínimo do conforto indispensável para evitar o estresse.
Com endereço na beira da estrada que dá acesso àquela e outras praias, durante a semana de carnaval ficava eu a observar o vai-e-vem de carros e motos, como se cada um estivesse à procura de um porto seguro para brincar o carnaval.
O nosso povo é folião por natureza. É por isso que – tal qual o futebol – o carnaval é tido como a maior festa popular brasileira. Os brasileiros gostam mesmo é de folia, de sentir a emoção do carnaval, de sambar com os pés no chão e alegria no coração; fugir do estresse rotineiro, cotidiano, indo seja lá para onde for. Ninguém merece ficar olhando pra cara um do outro, quando o país inteiro está se esbaldando na folia.
Só que, nesses dias de muita insegurança e desenfreada violência, o ideal seria que pudéssemos brincar o carnaval pertinho de casa. Seria menos arriscado, mais econômico, evitaria a dispersão familiar e a cidade ganharia outros ares.
Não é comum se vê baiano, bananeirense, pernambucano, campinense nem carioca, por exemplo, no nosso meio, em dia de carnaval. Claro que eles estão nos seus redutos, valorizando os seus carnavais. Nós é que costumamos ir até eles. E por que isso? Ora! É só, e somente só, porque não cuidamos de promover o nosso próprio carnaval. O que não seria coisa do outro mundo.
O pontapé inicial já foi dado, com a criação do bloco “Os Aripuás”, que em sua primeira apresentação já deu mostras de que seria viável. Na segunda apresentação, o bloco recebeu da sociedade o “carimbo” da aprovação. A opinião pública que o diga. Aliás, o público já o disse, quando foi às ruas levar o seu prestigio, a sua participação, a sua alegria, o seu “aprovo”; sem poluição sonora, sem violência, como gente civilizada.
E olha que os organizadores eram apenas um grupo de amigos, os quais se propuseram mostrar que é possível, sim, realizar o nosso próprio carnaval, sem mendigar o dinheiro público, restando às autoridades apenas o apoio institucional.
Por Sebastião Gerbase (Basinho)


