Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Na última quarta-feira (18) tivemos o segundo jogo da final da Copa do Brasil, em campo Internacional-RS e Athlético-PR. A final em si já foi uma vitória do bom futebol, pois premiou dois dos três treinadores mais longevos em seus cargos, Odair Hellman, no cargo no Internacional desde novembro de 2017, quase dois anos e, Tiago Nunes, no comando do Athético desde junho do ano passado, ambos só perdem em tempo no comando de uma equipe da Série A do brasileiro para Renato Portaluppi, no Grêmio a 3 anos.

São dois treinadores da nova safra de treinadores brasileiros, Odair, que segundo a análise do experiente jornalista esportivo e ex-jogador de futebol, Tostão, o considera adepto do Simeonismo, alusão ao estilo de jogo praticado pelo Atlético de Madrid, treinado pelo Argentino Diego Simeone, que, por característica, privilegia uma marcação forte, transição da defesa para o ataque de forma rápida, com um meio de campo formado por atletas com características de marcação, mas que possuem um bom passe e chegam com muita facilidade ao ataque, com dois laterais que apoiam bastante e um trio de ataque, com dois jogadores velozes pelas pontas e um atacante de área como referência.

Assim vem jogando esse Internacional de Odair, que vendeu caro ao Flamengo a vaga nas semifinais na Libertadores e, nesses dois confrontos da Copa do Brasil, jogou de igual para igual contra o Atlhético, perdeu nos detalhes, tanto em Curitiba, no primeiro jogo, tanto em Porto Alegre, na noite de quarta. É um trabalho muito bem construído ao longo desse tempo, consolidou o acesso a Série A em 2017, surpreendeu, de forma positiva, à todos com a terceira colocação no Brasileirão em 2018, fez uma excelente Libertadores esse ano e disputou a final da Copa do Brasil em 2019, hoje encontra-se em 4º lugar no brasileiro, à apenas 9 pontos do líder Flamengo, com um turno inteiro pela frente para jogar, se a diretoria tiver a cabeça no lugar, deixar de lado a pressão dos imediatistas, dará respaldo ao excelente trabalho realizado por Odair, que muitos frutos positivos ainda poderão ser colhidos adiante.

Tiago Nunes, que também segundo a mesma análise de Tostão, o enxerga como adepto do Kloppismo, alusão ao estilo de jogo praticado pelo Liverpol, treinado pelo Alemão Jurgen Klopp, que, por característica de jogo, tem um estilo semelhante ao Manchester City de Guardiola, sendo um pouco mais agudo e objetivo no ataque, possui transições rápidas, laterais que apoiam com precisam e extrema qualidade, meio de campo marcador e habilidoso, com um trio de ataque veloz, que varia as posições para confundir a marcação, jogando numa rotação e uma intensidade de um grau elevadíssimo.

Assim vem jogando esse Atlhético de Tiago Nunes, como ele bem analisou, após eliminar o Flamengo nas quartas-de-final, que o time jogou no ritmo de Rock in Roll, tamanha a intensidade do jogo aplicado pelos seus atletas. A estratégia de suportar a pressão e ser cirúrgico nos contra-ataques, surtiu efeito já na partida em Curitiba, quando em uma bola roubada na intermediária, chegou ao 1 a 0. Na partida de volta em Porto Alegre não foi diferente, em duas oportunidades, contra atacou o Internacional de forma mortal, conseguindo marcar dois gols. Não se abalou, em nenhum instante, após o Internacional empatar o jogo, demonstrando que as lições contra o Boca Júniors da Argentina, durante as oitavas-de-final da Libertadores 2019, foram aprendidas, ainda por cima, quebrou uma escrita de que esse Atlhético de Tiago Nunes não vencia fora de casa. O resultado de 2 a 1 no placar, 3 a 1 no agregado, premia uma ideia de clube que vem se construindo a muitos anos, com um passo muito importante dado ano passado ao conquistar de forma incontestável a Copa Sul-Americana, esse ano mais um passo, o título merecidíssimo da Copa do Brasil. Uma ideia de clube organizado, estruturado, que privilegia as categorias de base e que, cada vez mais vem se consolidando, com muitos méritos, como um dos grandes clubes do futebol brasileiro. Parabéns aos finalistas, parabéns aos vencedores, parabéns ao bom futebol.

Por Thales Carneiro